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Congresso em disputa: ausências, obstrução e o peso real da eleição para deputado e senador

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A eleição que se aproxima vai muito além da escolha do presidente da República. O ponto central, embora muitas vezes negligenciado pelo eleitor, está na formação do Congresso Nacional. É na Câmara dos Deputados e no Senado que governos conseguem avançar — ou simplesmente ficam travados.

No modelo político brasileiro, o chamado presidencialismo de coalizão exige maioria parlamentar para que qualquer agenda saia do papel. Sem isso, projetos são barrados, políticas públicas são desidratadas e o país entra em ritmo lento, independentemente de quem esteja no Palácio do Planalto.

 O Congresso como centro do poder

Nos últimos anos, esse cenário ficou evidente. Mesmo com propostas voltadas à retomada de políticas sociais, reorganização fiscal e investimentos públicos, o governo enfrentou forte resistência dentro do Congresso.

Parte significativa dessa resistência veio de setores da direita e do bolsonarismo, que adotaram uma postura de enfrentamento constante. Na prática, isso se traduziu em votos contrários a projetos do Executivo, uso de manobras regimentais para atrasar votações e priorização de pautas ideológicas.

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O PL e a estratégia de obstrução

Dentro desse contexto, o Partido Liberal (PL) se consolidou como um dos principais polos de oposição dura. A atuação da bancada foi marcada por alinhamento em bloco contra propostas do governo e presença ativa em estratégias de obstrução.

Esse comportamento contribuiu diretamente para o travamento de pautas importantes, afetando desde programas sociais até medidas econômicas.

 Ausências em plenário: o dado que revela o nível de compromisso

Além da atuação política, outro indicador relevante é a presença em plenário. Dados abertos da Câmara dos Deputados do Brasil mostram que parte dos parlamentares com maior visibilidade também aparece entre os que mais acumulam faltas sem justificativa desde o início do mandato em 2023.

 Top 10 deputados com mais faltas sem justificativa

1. Chiquinho Brazão — 113 faltas
2. Eduardo Bolsonaro — 61 faltas
3. Antonio Lúcio — 42 faltas
4. Pedro Lupion — 37 faltas
5. Junior Lourenço — 33 faltas
6. José Priante — 31 faltas
7. Olival Marques — 31 faltas
8. Washington Quaquá — 30 faltas
9. Carla Zambelli — 29 faltas
10. Reinlce Nicodemos — 29 faltas

O ranking revela uma disparidade significativa: o primeiro colocado acumula quase o dobro de faltas em relação ao segundo. Também chama atenção o fato de nomes com forte atuação política nas redes e no debate ideológico figurarem entre os mais ausentes em plenário.

 Discurso alto, presença baixa

Casos como os de Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli ilustram um padrão observado no atual Congresso: alta visibilidade pública combinada com presença reduzida em sessões deliberativas.

Além disso, ambos estiveram associados, ao longo do período recente, a episódios de forte tensionamento institucional e questionamentos ao funcionamento do sistema democrático, o que ampliou o ambiente de instabilidade política no país.

 O que está em jogo

A eleição de deputados federais e senadores não é um detalhe — é o fator decisivo para o funcionamento do país.

São esses parlamentares que:

  • aprovam ou travam políticas públicas;
  • definem o ritmo econômico e social;
  • sustentam ou inviabilizam governos.

 Conclusão

O Brasil não enfrenta apenas uma disputa ideológica. Enfrenta também um problema prático: um Congresso marcado, em parte, por ausência, obstrução e baixa entrega legislativa.

Mais do que escolher um presidente, o eleitor precisa decidir que tipo de Congresso quer eleger. Um Parlamento presente, que debate e produz, ou um que se ausenta, radicaliza e paralisa.

Porque, no fim das contas, é no Congresso que o governo — qualquer governo — realmente acontece.

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