Americando
AMERICANDO: Algumas linhas para entender a solidão
“Digam o que disserem
O mal do século é a solidão
Cada um de nós imerso em sua própria arrogância
Esperando por um pouco de afeição” (Esperando por mim, Legião Urbana).
Dei uma festa… Comida, bebida e “amigos”. Em dado momento alguns “amigos” foram embora. Ficou um. Bebemos, dissemos um para o outro coisas de ébrios alucinados e putos com a vida. Perto das duas da manhã ele se foi com sua companheira. Aí fiquei em casa, como sempre bem, só e sozinho de fato. Havia alguns ratos no forro, mas um dos “amigos” que veio aqui naquela noite, a preço de alguns reais, colocou veneno para os ditos. Sumiram, sabe, oculto leitor. Queria que um rato entrasse aqui agora e trocasse umas ideias comigo, pensei… Tomasse uma e falasse de sua vida no subterrâneo. Mas não… eu coloquei, aliás, paguei para colocarem veneno para os pobres roedores… Indagava eu naquele dia no fim festa na companhia de um charuto… Então… aqui estou, mais uma véspera de feriado, afinal, funcionário público extrapola noite adentro quando no outro dia não vai trabalhar… Refletia naquela noite sozinho após todos saírem…
Fiquei no silêncio da casa, da estante de livros, quadros na parede, ouvindo Bel e o som do ventilador… A noite não era fria… aqui é Nordeste, especificamente Ceará e carinhosamente Iguatu… No meu Iguatu… Frio aqui só no meu coração gelado, sofrido e calejado por tentar… Tentar e bater de emoção em um mundo que é oco… Uma bela jovem um dia me disse que o mundo é oco… Li um romance em que um personagem violento e sanguinário dizia que ia sair no oco do mundo! Onde é isso? Mas… concordo com a bela jovem que me falou… O mundo, de fato, é oco… Eram essas as minhas indagações e escombros da mente naquele dia…
Estava naquele dia na solidão da casa, madrugada adentro e olhava os quadros na parede… Uma foto do meu avô, outra do meu tio, do Marley, do Bel, do Chorão, do Brown também um quadro com uma frase do Bel… “Viver é melhor que sonhar”. Tudo isso faz ponte com tudo aquilo que eu queria dizer e não sei… Olhava também para outras duas fotos: uma do Raul e outra minha com minha mãe. Naquele dia entendi o que Jung diz sobre solidão. De fato… a solidão é viciante… e há paz nisso…
* Por Américo Neto
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