Americando
AMERICANDO: Quando seu silêncio para mim fez sentido
“Como as pedras imóveis na praia
Eu fico ao teu lado sem saber
Dos amores que a vida me trouxe
E eu não pude viver”
(Medo da Chuva, Raul Seixas)
Quando o seu silêncio para mim fez sentido, pude ver que o deserto de seu
peito é mais extenso do que o meu… Você me falou algumas coisas e eu senti por você…
O que aconteceu com você não foi fácil… com a piedade que senti por você comecei a
gostar do seu jeito.
A mais intrigante das nossas contradições é quando feridos, fazemos feridas
nos outros, porém quem te feriu não é a pessoa que agora estar com você. Às vezes,
queremos nos vingar de alguém do passado machucando outro alguém do presente.
O teu silêncio me fez ver uma coisa interessante: eu já fiz isso. Não é bom
ferir alguém que não participou do seu passado, nem tão pouco é interessante se vingar.
Para os cristãos o mandamento é que a vingança pertence ao Senhor. Borges, escritor
argentino, o qual tive o prazer de estuda-lo por dois anos em uma pesquisa, diz: “Yo no
hablo de venganzas ni perdones, el olvido es la única venganza y el único perdón.”
Você me disse certa vez: “Se não for para sempre, deixa eu ser o seu melhor.” Confesso
que para algumas coisas, adorei o seu silêncio assim como você… até um apelido, um
mimo, eu usava para te chamar e tenho uma explicação porque assim te chamei, mas
deixa estar…
O silêncio não comete erros em muitas situações, mas em outras é uma atitude
que pode ferir pessoas. Às vezes, não estamos chateados com determinada pessoa, mas
com nós mesmos. O bom é que a culpa do seu silêncio, para você, sou eu. Você jamais
vai admitir que possui feridas no passado e que elas te fazem silenciar diante de outras
pessoas.
O teu silêncio para mim me fez refletir sobre inúmeras coisas, até porque esta é
a terceira vez que isso aconteceu… Olha… acho que você reflete e reflete bem… sabes
que o teu silêncio te magoa… liberte-se e não preocupe comigo. Nos becos escuros, nas
ruas escondidas, nos bares vazios, da sua pequena cidade, é lá que eu vou estar…
Américo Neto
(Professor)
Contato: [email protected]
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