Ceará
Empresário toma seringa da mão de técnica e aplica vacina em si mesmo no Eusébio; entenda os riscos
Um homem tira a vacina da mão de uma técnica de enfermagem e aplica o imunizante contra a Covid-19 no próprio braço. O fato aconteceu no município de Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza, no último sábado (3). O vídeo da ação circula nas redes sociais e causa indignação de especialistas em saúde pelo comportamento de risco.
No vídeo, o empresário sabe que está sendo filmado e apresenta o imunizante para a câmera. Em seguida, enfia a seringa no braço. A profissional da saúde tenta impedir o ato, mas sem sucesso. Ele devolve a seringa à vacinadora, diz “obrigado, pessoal” e sai da sala. É possível ainda escutar uma risada, aparentemente da pessoa que estava filmando.
Confira o momento:
A reportagem entrou em contato com o empresário e foi atendida por uma familiar. Ela explicou que a atitude não foi premeditada e nem feita com o intuito de viralizar nas redes sociais, além de se desculpar com a profissional e não recomendar a prática a outras pessoas.
“Ele está bem e com a certeza de que foi vacinado. Tem muita gente bacana que faz um trabalho legal, mas sabemos de gente que não aplica, que não se atenta para a validade. Na hora, ele teve medo de que acontecesse algo, principalmente porque estamos com caso de Covid em casa, e isso mexe com a cabeça da pessoa. Estamos assustados com a repercussão. Em nenhum momento foi brincadeira com a funcionária. Não queremos que isso sirva de exemplo, só queremos que entendessem e não debochassem”, justifica.
A Prefeitura de Eusébio lançou nota, neste domingo (4), reprovando o comportamento do homem e informando que vai notificar o caso como “incidente de vacinação” à Coordenação Estadual de Imunização, da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa).
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde da cidade, só ontem foram aplicadas 542 doses contra a Covid-19 e mais 159 contra a influenza, totalizando 701 imunizados.
CONDUTA DE RISCO
A presidente do Conselho Regional de Enfermagem do Ceará (Coren-CE), Ana Paula Brandão, esclarece que os atos de conservar, aplicar e descartar imunizantes são prerrogativas legais da Enfermagem, sejam de auxiliares, técnicos ou enfermeiros.
“Ao fazer isso, o paciente está descumprindo uma legislação e pode inclusive sofrer implicações legais desse ato. Além disso, se por acaso houver lesão do músculo decorrente dessa aplicação, a responsabilidade é dele, que tomou essa atribuição para si”, ressalta.
Brandão também afirma que pode ocorrer desde uma lesão simples no local, com vermelhidão e processo inflamatório, a um processo mais grave.
Caso atinja vasos sanguíneos, fáscia muscular, nervos ou ossos, pode evoluir e causar fístulas ou abscessos.
“Tudo pode ser gerado pela forma inadequada de aplicação, por isso ressalto a importância do conhecimento técnico”, diz a presidente.
Fonte: Diário do Nordeste
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