Jared Isaacman, executivo de uma startup de processamento de pagamentos, está financiando uma viagem multimilionária ao espaço a bordo de uma cápsula Crew Dragon, da SpaceX. Esse pode ser o primeiro voo em órbita tripulado inteiramente por não astronautas.

Isaacman disse que comandará a missão, que tem partida prevista para o final de 2021, e que irá fazer uma viagem de “vários dias” na órbita da Terra, de acordo com um comunicado à imprensa. Ele comprou três assentos adicionais a bordo da missão, que serão doados a um “embaixador” do St. Jude Children’s Research Hospital, instituição que trata crianças com câncer, e uma outra pessoa que vai receber a chance de participar da viagem.

O “embaixador” do hospital para crianças já foi escolhido, disse Isaacman. Ele não revelou a identidade, mas disse que é uma mulher, profissional da linha de frente da área da saúde e que está “comprometida em ajudar crianças a vencer o câncer”.

O quarto assento é reservado para o vencedor de um concurso aplicado a clientes da plataforma de e-commerce de Isaacman, a Shift4Shop.

Os candidatos terão que lançar uma loja online na plataforma e postar no Twitter um vídeo sobre sua “história empreendedora”, que será analisada por “um júri de celebridades”, segundo a empresa. Os nomes dos juízes ainda não foram divulgados.

Não está claro quando o vencedor será escolhido, embora Isaacman tenha dito aos repórteres em uma teleconferência nesta segunda-feira (1º) que todos os membros da tripulação poderiam começar a entrar em treinamento em 30 dias.

O CEO da SpaceX, Elon Musk, que já havia manifestado interesse em ingressar em uma missão da SpaceX, disse a repórteres que não estará na missão Inspiration4: “Eu estarei em um vôo um dia, mas não nesse”, disse.

Isaacman acrescentou que essa missão, apelidada de Inspiration4, com o “4” referindo-se ao número de membros da tripulação, “é a realização de um sonho de toda a vida e um passo em direção a um futuro em que qualquer pessoa possa se aventurar e explorar as estrelas”.

Marco para a humanidade

Isaacman disse que queria que a missão também fosse o marco de um “momento histórico para inspirar a humanidade e, ao mesmo tempo, ajudar a combater o câncer infantil”. Ele prometeu também doar US$ 100 milhões (aproximadamente R$ 543,2 milhões) para o hospital como parte de uma campanha para arrecadar mais US$ 200 milhões (cerca de R$ 1,1 bilhão) para as pesquisas da organização.

Isaacman também é o CEO da Shift4, uma empresa de processamento de pagamentos que afirma ter processado mais de US$ 200 bilhões (aproximadamente R$ 1,1 trilhão) em pagamentos em 2019 em setores como varejo, hotelaria e jogos. A Forbes estima que ele tenha um patrimônio líquido de aproximadamente US$ 2 bilhões (cerca de R$ 10,8 bilhões).

Não está claro quanto tempo a viagem durará ou em que parte da órbita terrestre ela voará. Musk disse a Isaacman nesta segunda-feira: “Onde quer que você queira ir, nós o levaremos.”

Viagens para civis

A SpaceX se manifestou, há algum tempo, dizendo que estaria aberta à venda de passagens para civis e turistas para assentos em sua cápsula Crew Dragon, que entrou em operação no ano passado e tem como objetivo principal transportar astronautas da Nasa da Terra para a Estação Espacial Internacional e vice-versa.

Em fevereiro de 2020, a SpaceX deu a entender que organizaria uma viagem para quatro pessoas passarem alguns dias em órbita, desfrutando de vistas terrestres a bordo da espaçonave, que tem quatro metros de largura.

Em suas instalações a SpaceX treinará Isaacman, que já tem experiência em pilotar várias aeronaves, e seus companheiros de tripulação para a missão.

De acordo com o comunicado à imprensa, esse treinamento envolverá parte do regimento que os astronautas profissionais seguem, incluindo preparação para emergências, treinamento em microgravidade e em traje espacial.

A SpaceX e a Nasa esperam há muito tempo que a Crew Dragon desperte o interesse do setor privado para que gaste muito dinheiro em viagens espaciais.

A SpaceX criou a cápsula para a Nasa no âmbito de seu Programa de Tripulação Comercial, que buscava devolver a capacidade de voo espacial tripulado aos Estados Unidos após a aposentadoria do programa de ônibus espaciais, em 2011, que deixou o país sem essa capacidade por quase uma década.

Porém, em vez de manter a Nasa como detentora das aeronaves como antes, o Programa de Tripulação Comercial permitiu que a SpaceX retivesse a propriedade, permitindo a venda de assentos para não astronautas com o objetivo de despertar interesse em pesquisa espacial e turismo.

Fonte: CNN Brasil