Connect with us

Brasil

Quaest mostra disputa presidencial mais apertada: Lula lidera no primeiro turno, mas empate técnico aparece no segundo

Publicado

on

Pesquisa divulgada às vésperas do início oficial da campanha revela um cenário de forte polarização, elevada rejeição aos dois principais nomes e um dado especialmente importante: na pesquisa espontânea, mais da metade dos eleitores ainda não aponta candidato.

A nova pesquisa Genial/Quaest para a Presidência da República, divulgada nesta sexta-feira (14), apresenta um retrato mais apertado da corrida eleitoral de 2026. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) permanece numericamente à frente no primeiro turno, com 38% das intenções de voto, contra 31% do senador Flávio Bolsonaro (PL). A diferença de sete pontos, entretanto, é menor que a registrada na rodada anterior, quando Lula tinha 39% e Flávio, 30%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, as oscilações de um ponto entre as duas pesquisas estão dentro da margem estatística.

O dado mais significativo aparece quando a pesquisa abandona a lista de candidatos e pergunta ao eleitor, de forma espontânea, em quem ele pretende votar. Nesse cenário, Lula aparece com 25% e Flávio Bolsonaro com 19%, mas 51% dos entrevistados não sabem ou ainda não decidiram em quem votar. Outros nomes somam 3%, enquanto 2% afirmam votar branco, nulo ou não comparecer às urnas. O resultado revela que, apesar da polarização entre Lula e Flávio, a eleição ainda está longe de ter um eleitorado totalmente cristalizado.

A diferença entre os números espontâneos e estimulados é particularmente relevante. Quando os nomes dos candidatos são apresentados, Lula alcança 38% e Flávio 31%. Sem a apresentação dos nomes, os percentuais caem para 25% e 19%, respectivamente. Isso significa que a lembrança espontânea dos candidatos ainda é relativamente baixa e existe um contingente expressivo de eleitores que não transformou sua preferência atual em uma decisão consolidada.

No segundo turno, a disputa se torna ainda mais equilibrada. Lula aparece com 43%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 40%. Com margem de erro de dois pontos percentuais, o resultado caracteriza empate técnico. Na rodada anterior, Lula tinha 44% contra 39% de Flávio. Ou seja, a distância caiu de cinco para três pontos, embora a variação também esteja dentro da margem de erro.

O levantamento, portanto, produz dois retratos diferentes da mesma eleição. No primeiro turno, Lula mantém uma vantagem de sete pontos sobre Flávio. No confronto direto, porém, a diferença praticamente desaparece. É um indicativo de que o eleitorado ainda pode ser bastante sensível à formação das alianças, à campanha, aos debates e à transferência de votos dos demais candidatos.

Rejeição elevada limita o crescimento dos dois principais candidatos

Outro aspecto importante da pesquisa está na rejeição. Lula aparece com 52% de rejeição, enquanto Flávio Bolsonaro registra 54%. Em outras palavras, mais da metade dos entrevistados afirma que não votaria em cada um deles de jeito nenhum.

Esse dado ajuda a compreender por que uma liderança no primeiro turno não se transforma automaticamente em uma vantagem confortável no segundo. Tanto Lula quanto Flávio possuem eleitorados bastante definidos, mas também carregam índices elevados de resistência.

A rejeição praticamente equivalente também evidencia o grau de polarização da disputa. Os dois principais nomes concentram parcelas importantes do eleitorado, mas encontram dificuldades semelhantes para ampliar sua aceitação para além de suas bases políticas.

Governo Lula: aprovação e avaliação continuam dividindo o eleitorado

A avaliação do governo federal também apresenta um cenário dividido. Segundo a Quaest, 36% consideram o governo Lula positivo, 37% avaliam a administração negativamente e 25% classificam o governo como regular. Na pergunta específica sobre aprovação, 46% dizem aprovar o governo, enquanto 48% afirmam desaprová-lo.

Há, portanto, uma diferença importante entre avaliação e aprovação. Na avaliação qualitativa, a parcela negativa supera a positiva por um ponto: 37% a 36%. Na aprovação direta, a desaprovação chega a 48%, dois pontos acima dos 46% que aprovam.

Outro indicador reforça o ambiente de insatisfação: 53% dos entrevistados dizem acreditar que o Brasil está caminhando na direção errada. O resultado coloca a avaliação da economia, das condições sociais e do desempenho do governo como elementos que podem influenciar a evolução da disputa nos próximos meses.

Medo também aparece como componente eleitoral

A pesquisa mediu ainda a reação dos eleitores à possibilidade de retorno da família Bolsonaro ao Palácio do Planalto e à continuidade de Lula. 45% afirmaram sentir medo da volta da família Bolsonaro ao poder, enquanto 41% disseram temer a continuidade de Lula na Presidência. O resultado reforça a existência de dois blocos de rejeição e receio que ultrapassam a simples preferência eleitoral.

Esse é um dos aspectos centrais do levantamento: a eleição não está sendo construída apenas sobre a preferência por um candidato, mas também sobre a rejeição e o receio em relação ao adversário.

O que a pesquisa realmente mostra

A principal mensagem da nova Quaest não está apenas nos 38% de Lula contra 31% de Flávio no primeiro turno. Está na combinação de quatro indicadores: liderança estimulada de Lula, empate técnico no segundo turno, rejeição acima de 50% dos dois principais nomes e 51% de indecisos na pesquisa espontânea.

Esse conjunto mostra uma eleição ainda aberta. A preferência estimulada apresenta Lula na frente, mas o elevado número de eleitores que não declara espontaneamente um candidato indica que uma parcela significativa do eleitorado ainda não consolidou sua escolha.

A pesquisa foi realizada presencialmente com 2.004 eleitores entre os dias 10 e 13 de agosto de 2026, com nível de confiança de 95% e margem de erro de dois pontos percentuais. O levantamento foi divulgado justamente na véspera do início oficial da campanha eleitoral, marcado para 16 de agosto.

O cenário que emerge, portanto, é de uma eleição presidencial que começa oficialmente com Lula na liderança do primeiro turno, mas com uma disputa muito mais equilibrada quando os dois principais candidatos são colocados frente a frente. E, talvez mais importante, começa com mais da metade do eleitorado sem declarar espontaneamente um nome, deixando aberta uma parcela considerável do eleitorado para ser disputada durante a campanha.

anúncio

Novidades

anúncio

News

Rádio Ao Vivo – Mais FM Iguatu
Pronto para tocar
Baixar App