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COLUNA DIREITO E CIDADANIA: QUAL PROJETO DE PAÍS QUE QUEREMOS?
Com o encerramento da propaganda eleitoral gratuita – mas não tão gratuita assim, já que é paga pelo contribuinte em forma de compensação fiscal concedida às emissoras de rádio e TV pela sua transmissão – e ultimando os debates – ou embates – entre candidatos, a campanha eleitoral chega a sua reta final.
Se tivéssemos tido uma campanha propositiva voltada para o interesse público real, teríamos tido a oportunidade de conhecer a fundo os pretendentes, para todos os cargos em disputa, seus projetos, propostas e, no caso do executivo, os planos de governo.
Ao contrário disso, poucos foram os que se mantiveram fiéis à finalidade propositiva da campanha, tendo a grande maioria limitado o “debate” a questões que não dizem diretamente respeito aos rumos do país e das efetivas necessidades do nosso povo ou, mesmo quando tratados, foram tangenciados os pontos críticos para discussão, propostas e soluções.
Com efeito, muitos falaram no “combate à corrupção”, “enfrentamento à violência”, sobre “quem é mais ou menos cristão”, sobre “aborto”, “diversidade sexual” e uma infinidade de matérias que tiveram o intuito apenas de desviar o debate público e acirrar a polarização estéril, portanto, sem a profundidade devida.
Vimos corruptos declarados e outros descaradamente envolvidos em casos sob investigação séria sobre envolvimento com o crime organizado e grupos criminosos na política, falando em combater – na vida pública – o que fazem na privada, como dizia Nelson Rodrigues; condenados por violência política de gênero, falando em proteção às mulheres; homofóbicos, que proferiram manifestações odiosas contra os segmentos que compõem o contingente populacional da diversidade, defendendo a não discriminação; intolerantes com religiões diversas da sua, falando em liberdade de crença; abusadores e degenerados defendo a família, isso apenas para exemplificar alguns dos temas referidos na campanha eleitoral.
Em nenhum dos discursos dos citados candidatos houve uma indicação efetiva de proposta para tais situações ou algum projeto já proposto, ou a propor para aa solução dos graves problemas do país e de cada Estado da Federação, e nem mesmo o mínimo de conteúdo para convencimento do eleitor.
E, bem sabemos, são as propostas de trabalho dos candidatos, seu exemplo de retidão na vida pública e privada, sua atuação nos cargos já ocupados e o legado de seu trabalho que definem o projeto de país – ou a falta de projeto – que eles defendem.
Cabe a nós, eleitores, distinguir os que demonstram compromisso com o interesse público, com a democracia, com a diversidade em todos os seus aspectos (religiosa, cultural, sexual e étnica) e que país queremos deixar para as futuras gerações; daqueles que são os construtores do caos, que querem se apropriar do Estado para seus interesses privados e familiares, nem que, para isso, precisem demolir a democracia, discriminar, violentar e se associar ao crime.
Romualdo Lima.
Advogado, ex-Conselheiro estadual da OAB/CE,
Conselheiro vitalício do Conselho da OAB – Subseção Centro Sul e
Procurador Federal.
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