Tecnologia
Produções da Warner, incluindo Friends, se preparam para deixar a Netflix
A AT&T, proprietária da Warner, planeja trazer os conteúdos da produtora para sua plataforma de streaming com exclusividade. Serviço deve ser lançado final do ano
Fãs de Friends, podem se preparar. A gigante de telecomunicações nos Estados Unidos AT&T está planejando retirar todo o conteúdo da WarnerMedia – como Friends – de plataformas que transmitem as produções para oferecê-las exclusivamente no seu serviço de streaming, que está em desenvolvimento. Os planos da companhia foram confirmados hoje, 14, pelo CEO Randall Stephenson em uma conferência de imprensa em Dallas (EUA).
“Deveremos ter muito do ótimo conteúdo que possuímos que foram licenciados em outros lugares e [para isso deveremos] trazê-los de volta ao grupo”, disse Stephenson. O conglomerado de entretenimento WarnerMidia foi adquirido pela AT&T em uma fusão concluída em 2018 por US$ 85 bilhões.
Os comentários de Stephenson ecoam o que Kevin Reilly, presidente das emissoras pagas TBS e TNT e líder do gerenciamento estratégico do serviço de streaming da WarnerMedia, disse a críticos de televisão em fevereiro. Na ocasião, o executivo sugeriu que a AT&T estava “disposta” a remover as “joias” da produtora da Netflix e do Hulu para oferecê-las diretamente pela plataforma própria da companhia, com previsão de lançamento para final do ano.
Porém, se for levada adiante, a decisão da AT&T não necessariamente impacta no catálogo da Netflix de outros países. Os acordos da gigante de streaming nos EUA podem ser diferentes de contratos em outros mercados. Isso significa que a empresa pode negociar a permanência de Friends – e outros conteúdos – na Netflix Brasil, por exemplo, mesmo que a série saia da plataforma nos EUA e demais países.
Levar para a sua plataforma programas populares – e exclusivos – que fazem sucesso em serviços como Netflix e Hulu é uma ótima estratégia da AT&T para atrair assinantes para seu serviço de streaming. É também um significativo ataque contra empresas rivais. Alguns dos conteúdos mais populares da Netflix, por exemplo, são propriedades da WarnerMedia, incluindo Friends, que custou US$ 100 milhões à companhia para ser mantido exclusivamente em seu acervo em 2019. O número pode parecer obsceno, mas a sitcom é uma das produções mais assistidas no serviço.
Não só a AT&T, mas outros estúdios, como a Disney, que fechou acordo na manhã desta terça-feira para adquirir o completo controle do Hulu, estão cientes da importância da programação original, licenciada por outras empresas, para seus serviços.
O caminho é inevitável e iminente. Por um lado, a Disney, a NBCUniversal, a Apple e a AT&T se preparam para lançar seus próprios serviços de streaming e preservar a exclusividade de seus conteúdos mais antigos e populares, além do desenvolver outras produções originais. Por outro, assinantes dessas plataformas continua se perguntando onde, afinal, os conteúdos licenciados mais populares acabarão.
Fonte: Olhar Digital
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