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Senado: Cid amplia liderança e segunda vaga fica embolada

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Real Time Big Data é o quarto levantamento recente a mostrar uma eleição aberta; no Senado, Cid Gomes lidera e três candidatos disputam a segunda vaga

A disputa pelo Governo do Ceará entrou em uma nova fase. A pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta terça-feira (8) mostra, pela primeira vez nos levantamentos mais recentes, o governador Elmano de Freitas (PT) numericamente à frente de Ciro Gomes (PSDB).

Elmano aparece com 46% das intenções de voto, contra 43% de Ciro no cenário estimulado de primeiro turno. A diferença de três pontos, porém, está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Portanto, tecnicamente, os dois continuam empatados.

O resultado reforça uma característica que vem se repetindo nas pesquisas divulgadas nas últimas semanas: a eleição para o Governo do Ceará está polarizada entre Elmano e Ciro e permanece aberta.

O levantamento ouviu 1.600 eleitores entre os dias 3 e 7 de setembro e tem nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número CE-03293/2026.

Elmano também aparece numericamente à frente no segundo turno

A vantagem numérica do governador se repete na simulação de segundo turno.

Elmano registra 47%, contra 46% de Ciro. Mais uma vez, entretanto, a diferença de apenas um ponto está dentro da margem de erro, configurando empate técnico.

A fotografia é significativamente diferente daquela apresentada pelo Datafolha, divulgado na semana passada, no qual Ciro aparecia com 46%, contra 37% de Elmano. Na pesquisa AtlasIntel, Ciro também estava numericamente à frente, com 48,4% contra 45,8%, embora em empate técnico. Na Quaest, Ciro registrava 45%, contra 34% de Elmano.

O Real Time, portanto, não significa que Elmano tenha ultrapassado Ciro de forma estatisticamente comprovada. O que a pesquisa demonstra é que a distância entre os dois diminuiu e, neste momento, o governador aparece numericamente na liderança.

A espontânea revela uma eleição ainda mais aberta

O dado talvez mais importante para a análise política está na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados.

Elmano aparece com 26%, enquanto Ciro registra 23%. Camilo Santana tem 1%, outros candidatos somam 2%, brancos e nulos chegam a 6% e nada menos que 42% dos eleitores não sabem ou não responderam.

Esse nível de indecisão indica que existe um contingente eleitoral expressivo ainda disponível para os dois principais candidatos.

Na prática, isso significa que a campanha ainda terá capacidade de alterar significativamente a fotografia atual. A consolidação dos votos, principalmente entre os eleitores que ainda não transformaram preferência genérica em escolha definitiva, será uma das principais batalhas das próximas semanas.

Quatro pesquisas, quatro fotografias — e nenhuma eleição definida

Considerando os quatro levantamentos mais recentes, o cenário fica mais complexo.

O Datafolha mostrou Ciro com 46% e Elmano com 37%. A Quaest registrou 45% a 34% para Ciro. A AtlasIntel encontrou 48,4% para Ciro contra 45,8% para Elmano, dentro da margem de erro. Agora, o Real Time apresenta 46% para Elmano e 43% para Ciro.

Ou seja, há uma tendência clara de aproximação.

Isso não significa necessariamente que Elmano tenha assumido uma liderança consolidada. Os institutos utilizam metodologias e períodos de coleta diferentes, e as margens de erro precisam ser consideradas. Mas existe um dado político que não pode ser ignorado: a vantagem que Ciro apresentava em alguns levantamentos diminuiu substancialmente nas pesquisas mais recentes.

O cenário também reforça a possibilidade de uma eleição decidida por poucos pontos percentuais.

Senado: Cid amplia liderança e segunda vaga fica embolada

A pesquisa Real Time também traz mudanças importantes na disputa pelas duas vagas do Ceará no Senado.

Cid Gomes aparece em primeiro lugar, com 27%, ampliando sua vantagem sobre os adversários.

Na sequência aparecem Capitão Wagner e Luizianne, ambos com 20%, enquanto Alcides Fernandes registra 17%.

Guilherme Theophilo tem 5%, e brancos e nulos somam 5%. Outros 6% não sabem ou não responderam.

O resultado reforça Cid como o candidato em posição mais confortável na disputa por uma das duas cadeiras, mas deixa a segunda vaga completamente aberta.

Capitão Wagner e Luizianne estão empatados numericamente, enquanto Alcides Fernandes aparece apenas três pontos atrás dos dois. Considerando a margem de erro de dois pontos, os três permanecem competitivos na briga pela segunda cadeira.

A disputa pelo Senado, portanto, poderá ser uma das eleições mais imprevisíveis do Ceará em 2026.

A eleição proporcional ganha importância

Enquanto a disputa majoritária permanece indefinida, a corrida para a Câmara dos Deputados e para a Assembleia Legislativa terá uma dinâmica própria.

Na Assembleia, a saída de pelo menos 12 deputados que não disputarão a reeleição abre espaço para renovação. Entre eles está Agenor Neto, que decidiu não buscar novo mandato e passou a apoiar a candidatura do filho, Ilo Neto, do PT.

Ilo disputa uma cadeira de deputado estadual e chega à eleição com uma característica importante: já enfrentou uma eleição majoritária. Em 2024, disputou a Prefeitura de Iguatu e obteve mais de 27 mil votos.

Agora, a estratégia é transformar essa votação municipal e a estrutura política construída por Agenor Neto em uma candidatura de alcance regional.

O desafio, porém, é diferente. Para conquistar uma vaga na Assembleia, não basta repetir a votação de Iguatu. Ilo precisará ampliar sua presença para outros municípios do Centro-Sul e construir uma rede de lideranças capaz de produzir votos além de sua principal base eleitoral.

É justamente por isso que sua candidatura merece atenção durante a campanha.

Ilo não parte como favorito absoluto, mas também está longe de ser uma candidatura meramente simbólica. A capacidade de ampliar a rede municipal será o principal indicador para medir seu crescimento.

Uma eleição dividida em três grandes disputas

A fotografia eleitoral do Ceará em setembro pode ser resumida em três frentes.

A primeira é a disputa pelo Governo, agora mais equilibrada do que parecia algumas semanas atrás. Ciro continua muito competitivo, mas Elmano reduziu a distância e aparece numericamente à frente no Real Time.

A segunda é o Senado. Cid Gomes consolidou a primeira posição, enquanto Capitão Wagner, Luizianne e Alcides Fernandes disputam em condições bastante próximas a segunda vaga.

A terceira é a eleição proporcional, na qual a renovação da Assembleia e a formação das chapas podem produzir surpresas.

A principal conclusão das pesquisas mais recentes é que não há hoje um favorito com vantagem estatisticamente segura para o Governo do Ceará.

Ciro começou a sequência de pesquisas recentes em posição mais confortável. Elmano reagiu. A Atlas mostrou uma disputa praticamente empatada. E agora o Real Time coloca o governador numericamente na frente.

A campanha, portanto, chega a um ponto em que cada movimento passa a ter peso. O apoio de Lula, a força política de Camilo Santana, a estrutura municipal de Elmano e a capacidade de Ciro de mobilizar o eleitorado oposicionista serão decisivos para definir quem conseguirá transformar uma vantagem numérica em uma vitória efetiva.

Neste momento, mais do que uma eleição com favorito definido, o Ceará tem uma eleição em aberto.

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