Neste fim de semana, a Pastoral da Criança comemora 30 anos de existência no Estado. Perfil de atendimento passou do combate à desnutrição à luta contra a obesidade infantil

Há décadas, o maior desafio era acabar com a desnutrição e reduzir a mortalidade infantil. Hoje, a luta da Pastoral da Criança é contra a obesidade entre as crianças. A mudança é uma das marcas destes 30 anos do organismo social no Ceará. Mais de 45 mil crianças de até seis anos fazem parte das ações desenvolvidas mensalmente pela pastoral: visita às comunidades, dia de celebração das famílias atendidas e pesagem das crianças.

“Fui mãe aos 16 anos e a pastoral me ajudou a saber como alimentar e cuidar do meu filho. Tenho acompanhamento até hoje”, conta a costureira Maria Betânia Viana dos Santos, 36, mãe de três filhos – de 20, 17 e cinco anos, moradora do Planalto Ayrton Senna. Por mês, 39.688 famílias em 155 municípios cearenses são acompanhadas por mais de quatro mil líderes comunitários.

O total de famílias, entretanto, caiu 44% nos últimos oito anos. A redução do número de voluntários é a maior justificativa, segundo a coordenadora nacional da pastoral, irmã Vera Lúcia Altoé. “Antigamente, parecia mais fácil ter voluntários, porque os problemas eram ‘resolvidos’ mais facilmente: uma criança desnutrida era alimentada, acompanhada, e a vitória era mais clara. Hoje, a necessidade é mais de solidariedade, escuta. Mais ser do que fazer”. Para ela, a mudança dos objetivos das ações da pastoral decorreu da melhoria das formas de governo, que deram mais possibilidade de compra.

Mas o que melhorou também trouxe problemas. Irmã Vera Lúcia destaca que o aumento do consumo incentivou a alimentação artificial e o uso de aparelhos eletrônicos pelas crianças. “As orientações, hoje, são para cultivo de hortas em casa, o que melhora a alimentação e a renda das famílias. Buscamos também o aumento do número de espaços para brincar, que incentivem a movimentação e o lazer”, explica.

Baixa renda, moradia sem estrutura, vulnerabilidade social e precarização das condições de saúde ainda são os grandes problemas enfrentados pelos 4.175 líderes comunitários que atuam no Ceará. “Nós fazemos um trabalho de conscientização, ajudamos as mães a levarem os filhos ao médico, fornecemos cesta básica quando é necessário”, conta o coordenador paroquial do bairro José Walter e agente de saúde, Francisco Gonçalves Lucena, 54.

Ele é líder desde 1992. “A gente pesava as crianças debaixo de um pé de cajueiro. Hoje, já temos locais mais apropriados, com cadeira para as mães”, descreve. A Pastoral faz parte da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e sobrevive de doações e parcerias com organizações privadas e com o repasse, a cada dois anos, de aproximadamente R$ 80 milhões do Ministério da Saúde.

História

A Pastoral da Criança foi fundada em 1983, no Paraná, pela médica sanitarista e pediatra Zilna Arns Neumann e pelo arcebispo de Londrina, dom Geraldo Majella Agnelo.
No Ceará, a pastoral teve início em 1985, quando dom Aloísio Lorscheider recebeu Zilna Arns.

Comemoração
Os 30 anos da Pastoral da Criança no Ceará serão lembrados hoje e amanhã em Canindé.

Programação: Hoje: Das 9h às 16 horas – Casa Aberta, na Praça da Basílica.
18 horas – missa em ação de graças, na Quadra da Gruta. 20 horas – deslocamento para a quadra paroquial 22 horas – início das apresentações e vivência das lideranças da Pastoral da Criança, que se estenderão até as 6 horas de amanhã. A programação termina com um café da manhã. Informações: (85) 9 8698 3188 e 9 9995 6688.
Fonte: O Povo

PODCAST MAIS JUSTIÇA – I SIMPÓSIO DO DIREITO HOMOAFETIVO DO CENTRO SUL CEARENSE