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“Objetivo do vírus é permanecer na natureza”, diz especialista sobre letalidade de variantes
Muitas questões e dúvidas rodeiam o coronavírus, causador da Covid-19, e suas mutações, principalmente em se tratando da variante originada no Brasil, comprovadamente mais infecciosa. Apesar de conseguir infectar mais facilmente o organismo humano, a variante P.1. não é mais letal. É o que afirma Fábio Miyajima, pesquisador integrante da Rede Genômica da Fiocruz Ceará e especialista em vigilância laboratorial e epidemiologia molecular.
Além de não existirem estudos que comprovem a maior letalidade da variante, a principal missão de um vírus é permanecer ativo na natureza, e as chances de isso acontecer diminuiriam ao se tornar mais letal. O pesquisador explica, ainda, que as mutações do coronavírus são esperadas, pois, os patógenos estão sempre “evoluindo, micro-evoluindo, se expandindo”.
Os termos da genética podem gerar confusão. De acordo com o pesquisador, tudo começa pelas mutações, eventos aleatórios e esperados pelos cientistas, pois a alteração estrutural é um comportamento padrão dos vírus e das bactérias. Apesar de acontecerem com frequência (em relação ao coronavírus, a taxa de mutação é elevada), essas mutações não necessariamente deixam o vírus mais forte ou mais transmissível. Já uma variante se caracteriza por uma mutação específica que ocorre diversas vezes. Segundo Miyajima, a probabilidade de surgirem novas variantes está diretamente associada à circulação do coronavírus.
Um conjunto de variantes compõem uma linhagem, grupo de vírus que se diferenciam de seu ancestral, o primeiro identificado. Dentro de uma linhagem, podem surgir cepas, que são variantes que não se comportam da mesma forma do vírus original. Exemplos de variantes existentes são as do Brasil, conhecida como P.1., do Reino Unido, chamada de B.1.1.7, e da África do Sul, também conhecida como B.1351 ou 501Y.V2.
Fábio diz que novas compreensões das mutações surgirão ao longo da batalha contra o coronavírus: “É muito difícil ter um entendimento durante uma guerra”. Por enquanto, o que se sabe é que a variante de origem amazonense é mais transmissível, pois se adapta melhor ao hospedeiro humano e consegue enganar o sistema imunológico. Isso não a torna mais letal, no entanto. Além de não existirem evidências de maior letalidade, ele explica que “não faz parte do conceito biológico de um vírus se tornar mais letal. Caso se torne mais letal, vai ter menos pessoas infectadas. O objetivo do vírus é permanecer na natureza”.
Vacinas e variantes
Segundo Fábio, nem todas as pessoas vacinadas apresentarão anticorpos de imediato, o que não quer dizer que estarão completamente desprotegidas. Para aumentar as probabilidades de proteção, a segunda dose é indispensável. O pesquisador alerta que há possibilidade de infecção por coronavírus mesmo com as duas doses do imunizante. Apesar disso, escolher não tomar a vacina não é o melhor caminho contra a Covid-19: “É melhor ter alguma imunidade do que não ter nada”.
O especialista é explícito ao dizer que a vacinação vai ajudar a prevenir e diminuir os casos graves, mas não é a solução da pandemia e precisa estar aliada às medidas de proteção, principalmente tendo em vista a perspectiva de infecção mesmo com a vacina. “A mesma indicação para as pessoas: continuar usando a máscara e o álcool em gel, evitar aproximação com pessoas e eventos desnecessários. Isso não é uma questão de querer falar para as pessoas o que fazerem, isso é uma questão de saúde pública”, orienta Fábio.
“Acredito que a pandemia vai estar sob controle daqui a um tempo, não sei quanto tempo, não é uma coisa instantânea. A gente tem que tomar as mesmas medidas, que previnem todas as infecções respiratórias”, diz. Ele conclui lembrando que outros vírus circulam no período atual de quadra chuvosa, como o influenza, e podem apresentar sintomas semelhantes aos da Covid-19.
Fonte: O Povo
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