Política
Motoboy de empresa investigada na CPI da Covid confirma saques e pagamentos para a VTC Log
O motoboy Ivanildo Gonçalves da Silva confirmou à CPI da Covid, na manhã desta quarta-feira (1º), que realizava saques e pagamentos em dinheiro para a VTC Log, empresa investigada por suspeita de corrupção junto ao Ministério da Saúde.
Em depoimento, ele disse que já tirou “R$ 430 mil” na “boca do caixa” a pedido do setor financeiro da empresa. O saque ocorreu em uma agência da Caixa Econômica Federal no aeroporto de Brasília. O dinheiro que sobrava após os pagamentos era devolvido à empresa, alegou.
À comissão, o motoboy detalhou que a ordem das transações era da responsável pelo setor financeiro da VTC Log, Zenaide Sá Reis.
“O financeiro da empresa me passava os cheques para mim (sic) fazer os saques e aí eu executava”, disse o funcionário. “Era na boca do caixa.”
O homem foi questionado se pagava fornecedores ou entregava recursos para alguém, mas negou que fosse sua atribuição.
“Eu não cheguei a entregar dinheiro nas mãos para ninguém. Eu pagava os boletos, às vezes fazia depósitos. Não tenho conhecimento de alguém específico para poder fazer esse pagamento”, afirmou. Ele citou como exemplo “boleto de combustível” e faturas de cartões de sócios da empresa.
SUSPEITA
Ivanildo foi incluído de última hora na pauta da CPI, um dia após não ter comparecido por estar amparado por um habeas corpus que lhe dá o direito a permanecer calado ou mesmo de não prestar depoimento.
Nesta quarta-feira, ele compareceu à comissão espontaneamente e com a anuência da diretoria da VTC Log.
O motoboy entrou no radar da CPI após relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) enviado à comissão mostrar que ele realizou diversos saques para a VTC Log, em um total de R$ 4,7 milhões. A CPI suspeita que os recursos sejam usados para pagar propina para agentes públicos.
O homem informou que costumava frequentar o prédio do Ministério da Saúde, quando tinha a função de entregar boletos. Afirmou não conhecer ninguém no ministério, mas se recordou de determinava ocasião em que entregou um “pen drive no quarto andar”.
O vice-presidente Randolfe Rodrigues (Rede-AP) então apontou que no quarto andar funciona o departamento de logística, onde atuava o ex-diretor Roberto Ferreira Dias.
“Quando eu realizava o serviço de entregar faturas, eu andava constantemente no Ministério da Saúde. Eu não conhecia ninguém. Eu ia em salas entregar faturas, de setores em setores”, disse
Questionado especificamente sobre Dias, respondeu que não o conhecia e que não lembrava de ter pagado boletos em seu nome.
Fonte: Diário do Nordeste
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