Policial
Mineira escravizada por 38 anos tinha pensão de R$ 8 mil usada por família
Madalena Gordiano, a mineira que foi resgatada em novembro de condições análogas à escravidão em Patos de Minas (MG), tem direito à pensão de cerca de R$ 8,4 mil, mas nunca recebeu o dinheiro. Os pagamentos, referentes a um casamento de fachada com um ex-militar, eram controlados pelo professor universitário Dalton César Milagres Rigueira, suspeito de manter Madalena em cativeiro. As informações são do Uol.
Em 2001, Maria das Graças Rigueira, mãe de Dalton, organizou o falso casamento com Marino Lopes da Costa, tio da esposa do professor. Em 2008, a união entre os dois chegou a ser alvo de denúncia, mas o processo foi extinto em 2015 por falta de provas.
Marino, ex-combatente da Segunda Guerra Mundial, estava com a saúde debilitada e morreu em 2003, aos 80 anos. Madalena, que nunca morou com o esposo, passou a ter direito a duas pensões, totalizando mais de R$ 8 mil por mês, mas nunca teve controle do dinheiro.
Inicialmente, os valores ficavam nas mãos de Maria das Graças, e foram usados para pagar o curso superior da filha dela, Vanessa Maria Milagres Rigueira. Ela se formou em 2007 pela Faculdade de Medicina de Petrópolis – em 2019, o valor da mensalidade na instituição era de R$ 7.350.
Perto da formatura de Vanessa, Dalton passou a ser o responsável pelo dinheiro. À época, ele foi contratado como professor universitário em Patos de Minas, com salário de R$ 10 mil. Ao Ministério Público do Trabalho (MPT), ele informou receber o salário de professor e R$ 1,3 mil pelo aluguel de dois imóveis. O MPT, no entanto, entende que a renda da família, considerando as informações de Dalton, é incompatível com o patrimônio declarado: além de um apartamento na área nobre da cidade, com parcelas de R$ 1,7 mil, Dalton também paga a faculdade das duas filhas – uma delas estudante de Medicina, em instituição cuja mensalidade é de R$ 6,8 mil.
Além de controlar o dinheiro da pensão de Madalena, a família Milagres Rigueira é suspeita de ter cometido fraudes financeiras. Dalton teria realizado empréstimos consignados no nome de Madalena, dos quais ainda restam cerca de R$ 18 mil em dívidas. A esposa Valdirene e a filhas do casal, por sua vez, solicitaram o auxílio emergencial e, mesmo com renda familiar oficial acima de R$ 11 mil, receberam cada uma R$ 3.300: as cinco parcelas de R$ 600 e uma de R$ 300.
Fonte: O Povo
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