Saúde
Higiene bucal ajuda a prevenir infecções em pacientes hospitalizados
Quando criança aprendemos a escovar os dentes e sobre a importância da higiene bucal, que deve ser mantida a vida inteira. Na boca existem milhares de bactérias que podem causar infecções e desencadear problemas sérios em todo o organismo, inclusive no coração. Para alguns grupos de risco, como diabéticos, pacientes em tratamento contra o câncer, cardiopatas, transplantados, e aqueles internados em unidades de terapia intensiva (UTI), a atenção com a saúde bucal deve ser ainda maior.
Esses pacientes passam por períodos de baixa imunidade e as infecções oportunistas por fungos, vírus e bactérias na cavidade oral podem gerar muitos riscos. A endocardite, por exemplo, é uma infecção muito comum na parede interna do coração ou das válvulas e causa alto índice de mortalidade. Para prevenir essas e outras infecções, o Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes, do Governo do Ceará, disponibiliza o serviço de odontologia para os pacientes cardiopatas de cirurgias eletivas e transplantados.
O agricultor Raimundo Pereira de Sousa, 59 anos, morador de Pedra Branca, não lembrava a última vez que tinha ido ao dentista. Internado para fazer uma cirurgia de troca de válvulas, ele estranhou quando junto aos exames pré-operatórios, o médico o encaminhou também ao dentista. “Eu perguntei logo: a cirurgia é no coração e vou ter que cuidar dos dentes? Não entendi”, conta.
Limpeza, extrações e restaurações são os procedimentos que ele necessita fazer antes de ir para a cirurgia de troca de válvulas. “Eu realmente descuidei dos meus dentes e o médico explicou que eu posso ter infecções. Como vou fazer a cirurgia, tenho que tratar a boca, para não ter perigo. Ainda bem que aqui nesse hospital tem tudo, estou sendo muito bem tratado”, afirma.
De acordo com a coordenadora do setor de odontologia do HM, Eliane Sampaio, a boca pode ser “porta de entrada” para muitas doenças e até causa de infarto agudo do miocárdio. Por isso, estar com a boca saudável é primordial para evitar problemas de saúde.
“Uma dor de dente muito intensa pode aumentar a pressão e o paciente cardiopata pode ter um infarto. Uma infecção também pode causar uma endocardite, que mata. Por isso, o paciente do HM só vai para a cirurgia após fazer o tratamento dentário, que reduz os riscos de infecções. Assim que o paciente chega ao hospital e é de perfil cirúrgico ou é candidato ao transplante, ele já é encaminhado para o consultório odontológico. Os pacientes do transplante, por exemplo, são acompanhados para o resto da vida. Nós também atendemos os casos de urgência, aquele paciente que está na UTI e alguns pacientes pneumopatas”.
O setor de odontologia do HM tem infraestrutura para a realização de periodontia. Ou seja, limpezas dentárias, tratamentos restauradores e pequenas cirurgias, como extrações dentárias. Mensalmente, são realizados uma média de 1.200 procedimentos. A equipe que atua no consultório e faz rodízio nas unidades de internação e UTIs é composta por dois dentistas, quatro residentes e alguns estagiários que atuam como observadores dos procedimentos.
Fonte: Governo do Estado do Ceará
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