Ceará
Focos de incêndios propagam-se e deixam danos no interior do Ceará
A quantidade de focos de incêndios, no Ceará, não para de crescer. Dos 586 já registrados em todo o ano de 2019, houve 45 queimadas somente no último domingo (15), de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O registro foi o maior em um único dia, em setembro deste ano. Os estragos são severos e não se limitam ao dia do incêndio. Uma área nativa queimada pode levar de dez a 20 anos para ser recuperada.
O período depende da espécie e densidade da área afetada. “O fogo destrói a vida na superfície do solo, elimina os micro-organismos, deixa a terra estéril”, observa o ambientalista e agrônomo, Paulo Ferreira Maciel. “A repetição desse problema, a cada ano, exaure o solo, cria manchas improdutivas e leva ao processo de desertificação”, alerta.
O ambientalista mostra-se preocupado com as sucessivas queimadas que ocorrem neste período do ano no Sertão cearense. “O que vemos todos os anos é uma destruição intencional e criminosa. Queima-se a mata nativa e depois planta-se capim e cria-se área de pastagem para criação de gado”. Paulo Maciel lembra ainda que o fogo perde o controle e se espalha facilmente, favorecido pelo tempo quente, vento e mata seca.
Potencialidades
A maioria dos incêndios, segundo o tenente-coronel do Corpo de Bombeiros de Iguatu, Nijair Araújo, tem ação antrópica. “Esses incêndios são criminosos e não são feitos por pequenos agricultores de minifúndio, mas por pecuaristas, criadores”, acrescenta Paulo Maciel. A geógrafa e mestranda em Sensoriamento Remoto do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Ana Larissa Ribeiro, discorda ao explicar que “essa prática não é interessante para o agronegócio, para os criadores. Tecnicamente, o setor é pronto para trabalhar com maquinário”.
Em uma questão, no entanto, ambos concordam: a ação humana. Larissa reconhece que alguns fatores inerentes a esta época do ano contribuem para o aumento dos focos, como baixa umidade do ar e alto calor, mas é taxativa ao dizer que “a Caatinga não queima por si só”, pontuou. “Os fatores ambientais existem, mas o fogo decorre da ação humana”, adverte a estudiosa.
Longo tempo
Em sua grande maioria, os focos de incêndio demandam muitas horas para serem debelados. Geralmente, um incêndio em uma mata nativa, conforme Paulo Maciel, dura de seis a 20 dias, uma que vez que há muita matéria orgânica a ser queimada. Em duas localidades distintas do Ceará, o fogo já destrói a vegetação nativa há dias. No município de Cedro, o fogo começou há uma semana e segue causando prejuízos para os produtores rurais.
A região mais atingida é o distrito de Santo Antônio. O secretário de meio ambiente de Cedro, Elleson Barbosa, disse ainda não ter um levantamento da área destruída, tampouco dos prejuízos. “A situação é muito preocupante e o fogo já queimou mais de 12 km em extensão de roça”, reforçou.
Em Parambu, no Sertão dos Inhamuns, um grande incêndio teve início na última quinta-feira (12) e apenas, ontem (16), começou a ser contido. Somente em uma fazenda, 80% dos 400 hectares foram destruídos pelo fogo. Vinte homens do Corpo de Bombeiros atuaram para debelar as chamas. Ninguém ficou ferido.
Fonte: Diário do Nordeste
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