Os cursos de youtuber para o público infantil estão mais fáceis de serem encontrados em escolas de Fortaleza. Com o crescimento dos canais comandados por crianças sob a supervisão de pais, alguns locais têm oferecido módulos com aprendizagem sobre como criar um canal, como administrar a ferramenta de vídeo ou como lidar com seguidores.

Na capital cearense, pelo menos três escolas com cursos voltados para programação, robótica e redes sociais já se tornaram referência nesse tipo de conteúdo. A SuperGeeks, localizada na Aldeota, foi uma das primeiras a apostar na linha.

INTERESSE DO PÚBLICO ADULTO
De acordo com a diretora da escola, Suly Parente, o curso foi criado por uma demanda externa. “Começaram a pedir. Mesmo assim, nós queríamos um curso que não fosse apenas criar o canal, ele precisaria agregar mais à criança, possibilitar algum aprendizado significativo”, explicou. Atualmente, a formação é composta de oito encontros de 1h30 de duração. Cerca de dois meses são necessários para que ele seja finalizado.

Vários tópicos são abordados em sala no meio das aulas. “Trabalhamos com as crianças a criação do canal, a gravação de vídeos, a edição dele, a postagem no canal, a vinheta de abertura de vídeos. Enfim, tudo que envolva o processo de criação”, comenta a diretora do local. Inclusive, segundo ela, a procura também tem surgido por meio do público adulto, que também se interessa por esse tipo de conhecimento. “Atualmente, todos querem vender seus serviços e nada melhor do que a internet para atingir um bom público”, opina ela.

Além desta, pelo menos outras duas também divulgam o curso. No site da escola Happy Code, também localizada na Aldeota, as informações são sobre aulas destinadas a entender o universo do YouTube. No entanto, o local não passa mais informações sobre o conteúdo ou valores.

Já na Gênio Azul, o curso também tem foco em habilidades socioemocionais, além da rede social em si. A carga horária é de 12h, com aulas de 1h30, e um público-alvo a partir dos 10 anos de idade.

CUIDADOS
O alerta dos riscos da presença de crianças nesse ambiente merece sempre estar ligado. Para a psicóloga clínica e educacional, Alexandra Borges, é necessário acompanhar o início da inserção da criança, e até mesmo do adolescente, nessas questões. “Não é só sobre o conteúdo mostrado nessas aulas, tem que saber como isso é apresentado a essa criança. Esses cursos precisam ser vistos como algo para agregar, um momento de lazer, e não como uma obrigação. A intenção é não gerar essa expectativa em relação à fama”, orienta a profissional.

Ela também ressalta: o interesse nas mídias pode vir da reprodução de comportamento. “As crianças têm esse interesse porque acabam repetindo esse padrão que enxergam na vida dos adultos”. Exatamente por isso, ela reitera, os padrões estabelecidos em família podem auxiliar os pequenos na hora de lidar com o assunto.

Fonte: Diário do Nordeste