Saúde
Cromossomo Y desempenha funções ao bom funcionamento de órgãos
A receita é simples: junte dois cromossomos X, e você terá uma fêmea. Troque um deles por um cromossomo Y, e o embrião desenvolve características do sexo oposto. Assim tem sido há 300 milhões de anos, desde que o DNA dos mamíferos deu origem aos genes determinantes masculinos.
A receita é simples: junte dois cromossomos X, e você terá uma fêmea. Troque um deles por um cromossomo Y, e o embrião desenvolve características do sexo oposto. Assim tem sido há 300 milhões de anos, desde que o DNA dos mamíferos deu origem aos genes determinantes masculinos.
A natureza feminina tem sido constante desde então, mantendo 98% do código ancestral. O ingrediente masculino, por outro lado, passou por um violento processo de depreciação, e apenas 3% dos 184 genes originais que formavam o Y resistiram até os dias de hoje. Para entender melhor essa seleção, cientistas traduziram o cromossomo. Além de descobrir interessantes pistas sobre seu passado, eles identificaram outras importantes funções que ele cumpre no organismo. O resultado está publicado em dois artigos na edição de hoje da revista Nature.
O cromossomo Y era praticamente um mistério até agora porque os milhões de anos de mudanças deixaram a sequência genética bastante fora de ordem. “Y é encontrado apenas em machos, enquanto o X está nos dois sexos. O Y está sempre sozinho, ele não tem um parceiro como os autossomos (cromossomos não relacionados à determinação do sexo) ou X nas fêmeas. Isso significa que, se há uma mutação que danifique um gene, ele não pode conferir com uma outra cópia ou parceiro para reparar o dano”, esclarece Daniel Bellot, pesquisador do Instituto Médico e Departamento de Biologia Howard Hughes, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos.
As várias repetições e informações aparentemente sem utilidade faziam com que localizar as funções do cromossomo masculino fosse como encontrar uma agulha no palheiro. Como todos os genes do Y são herdados em grupo, não é possível separar as mutações benéficas de um gene das mutações ruins em outro. Os pesquisadores recorreram, então, a um atalho para vasculhar a sequência de genes. Em vez de olhar para o DNA, eles procuraram pistas diretamente no RNA, a cadeia de nucleotídeos que resulta do processo de transcrição do código original. É como se eles ignorassem uma mensagem criptografada por ter acesso direto à mensagem traduzida e resumida.
Fonte: CORREIO BRAZILIENSE
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