Americando
Ao meu avô falecido em 7 de outubro de 2024

Ao meu avô falecido em 7 de outubro de 2024 (Parte III).
Fé e outros causos.
“Eu, mas eu sou o amargo da língua
A mãe, o pai e o avô
O filho que ainda não veio
O início, o fim e o meio
O início, o fim e o meio
Eu sou o início, o fim e o meio
Eu sou o início, o fim e o meio”
(Raul Seixas, Gita, 1974).
Lembro-me frequentemente que das vezes que conversei com Arado ele também me falou de trabalho, luta, fé e suas dificuldades na roça. Segundo ele a agricultura era o pior ramo, “E quem não puder saia da frente!” – palavras suas. Ele também dizia “Só existe duas coisas que faz o homi trabaiá: interesse e precisão justa.”. Realmente, por mais relatos e fatos que me venham à memória, jamais conseguirei traduzir o que era estar em sua presença e prosear com ele sobre a vida. Era um matuto, um homem da roça, fazendeiro que muitos o chamavam de “Coronel”, mas era essencialmente sábio. Lembro sempre de alguns bordões: “Quem o bem ou o mal fizer, pra si é.”.
Certa vez ele me disse que “Inventei de entrar pra religião de sua avó. Foi o ano mais azalado de minha vida! As melhores reis que eu tinha, as que não morreram deixaram de dar leite ou perderam as cria. Nenhuma ficou prenha, vendo? As safras da roça foi fracasso total. Uma miséria sem fim… uma coisa horrivi, uma murinha do diacho, vendo? Aí um dia eu fui pra celebração na igreja e pedi o microfone ao irmão. Aí eu disse: ‘Irmão, de hoje pra frente Zé Américo não faz mais parte dessa religião’ – aí depois melhorou foi tudo… porque eu não fiquei contra nem a religião de minha mãe e nem a da minha mulher.”. Eu ri muito com essa. Imagino minha avó nesse momento, meu Deus… Depois ele emendou: “Eu fiquei fracassado na religião porque no dia que aceitei a lei dessa religião não era o dia certo… O dia certo foi num dia em que o irmão pregou e a palavra veio toda pra mim, vendo? Foi lá no Zé Vieira, no açude de papai. Aí quando o irmão terminou de pregar eu disse: ‘Tá esperando o quê irmão Agostin’, aí Agostin aceitou no dia que era pra mim e eu perdi as forças.’”. Depois disso ele concluiu: “Aí depois disso, eu nem fiquei contra uma religião e nem contra outra. Eu não tenho essa coisa de viver em igreja não, mas eu oro todo dia, peço a Deus pra Ele me ajudar em minha luta e Deus pra mim é meu trabalho. Se tá dando certo é porque Deus tá me ajudando. Sabe?”
Ele me contou que quando tinha de 35 a 40 anos adoeceu muito, muito mesmo. Acho que ele me disse que era uma tal de “febre tifoide”, coisa assim, não lembro ao certo, mas era uma febre que lhe fez vomitar muito. Aí depois de muitos dias medicado teve melhora. O seu irmão mais novo chegou de viagem a cavalo e assim que chegou tomou um suco. Imediatamente ficou todo intoxicado e veio a óbito. Ele me disse que muito queixou-se com Deus, porque o irmão mais novo dele havia morrido? Me disse que perguntava a Deus todo dia por quê? Aí ele me narrou que certa vez estava dormindo quando sentiu que estava flutuando, assim expôs: “Subi… rapidamente como subi desci de uma vez! Pá!…. no chão. Aí eu vi uma fumaça e perguntei: ‘Quem é?’, aí a fumaça respondeu: ‘É o Senhor’; aí eu disse ‘pois não Senhor’. Aí a fumaça disse: ‘Nunca mais se queixe pela morte de seu irmão, essa morte era sua, mas você tem muita gente que precisa de você, então passei pra seu irmão, vendo?’”, em seguida ele concluiu: “Depois dessa visão meu filho, nunca mais me queixei com Deus pela morte do meu irmão. Vendo? Deus nosso Senhor tudo sabe”.
Meu avô disse certa vez: “Tá todo mundo salvo! Deus nosso Senhor perdoou tudo! Tá tudo salvo! No tem conversa com inferno não! O sangue de nosso Senhor Jesus salvou tudo!”. Lembro-me de sua face alva e vermelha ao mesmo tempo me contando essas histórias. Era forte, voz alta e firme; força ao apertar a mão do outro, mão calejada, braço forte e muita coragem. Era um homem destemido de tudo. Creio que ele nunca teve medo de nada… Eu escutava tudo isso como quem inconsciente sabia que iria um dia recontar. Era um misto de admiração e comédia todas essas histórias que sempre ouvi quando ia lhe visitar. Ê…. vovô… como eu sinto sua falta…
Américo Neto.
Contato: zeamericoneto@hotmail.com
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