“Seu olhar
Não conta mais histórias
Não brota o fruto e nem a flor
E nem o céu é belo e prateado
E o que eu era eu não sou mais
E não tenho nada pra lembrar”
(L’avventura, Canção de Legião Urbana)

Uma curiosidade alinhada ao desejo… perde -se o senso do perigo… Na noite… outro horário não seria… Acho que meia noite, precisamente… A velocidade fez os meus ouvidos perceberem o zumbido do vento. Havia lama onde passei… A estrada estava deserta. Becos, encruzilhadas, antenas, luzes de apartamentos acesas, outras apagadas e ninguém na rua… Cheguei em uma casa que nunca pensei em ir como fui… Tensão, ideias vagas, medo, receio da moralidade sustentada por uma sociedade que não se sustenta.

Um ar de curiosidade e mistério tomava conta dela por inteiro e desde o início bebia todas as minhas palavras com muita atenção, afeto e ternura. Ela estava ali, olhos em mim e eu sabendo disso a olhava com intervalos. Sua presença de espírito me fez perceber um ser machucado, sofrido pela vida… um coração com chagas profundas. Havia várias cores que sempre se repetiam nas coisas… um chão frio, uma decoração muito interessante, olhares e o desejo começou a nos envolver…

O medo veio à tona, suspiros, negativas, vi um objeto interessante na decoração em um ponto da casa… Não dormimos… vim embora… Arrependimento? Medo? O futuro? A gente se cancela às vezes… nos privamos… pensamos demais…. o chato é isso… pensar demais… simplesmente fiz o seguinte, aliás, fizemos: ” andar caminho errado pela simples alegria de ser…”. Tudo passou como um flash… voltei pela mesma estrada que fui… quando cheguei em casa dormi um sono ruim… acordei pensando nos momentos… O chão do quarto, aquela fala, aquele cheiro, o beijo, o corpo… foi marcante e é lembrança que tem receios, dúvidas, medo, angústias….

Antes de sair olhei em seus olhos e disse: “você é intensa!”
Por Américo Neto
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