Regional
Projeto de irrigação impulsiona produção no campo, mas tem cronograma afetado pela pandemia
A pandemia do novo Coronavírus trouxe impacto em vários setores. Um deles foi o andamento de ações de assistência técnica na agricultura. A continuidade de projetos de produção irrigada no campo foi afetada sobremaneira. Implantado em setembro de 2019, o Programa de Irrigação na Minha Propriedade (PIMP), que tem por objetivo estimular a irrigação no campo, diminuindo os custos na produção através de cessão de kits de irrigação modernos e com preços acessíveis, só conseguiu executar 15,24% do cronograma.
O PIMP fornece kits que reduzem o consumo de água e de energia e, consequentemente, abrem margem para o produtor investir o dinheiro economizado em sua produção. Em média, cada kit custa R$ 12 mil, mas o produtor só paga a metade e somente após dois anos de carência, em cinco parcelas anuais.
Diante desse atraso na execução, cuja previsão para conclusão da entrega dos kits era até o fim deste ano, a Ematerce vai solicitar, ao Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), um aditivo de prazo de pelo menos um ano. O projeto teve aporte de R$ 8 milhões, e visa distribuir 1.345 kits. Até o momento, só foram entregues 205 em 38 municípios.
Resultados
Quem já recebeu os equipamentos já começa a colher os resultados. Isso porque nessa época do ano, mais de 90% dos agricultores de base familiar não têm meios de produzir no Sertão seco sem auxílio da irrigação. Deste modo, é preciso aplicar recursos para manter a produção e garantir a segurança alimentar e nutricional das famílias e dos animais.
Na localidade de Faé, zona rural de Quixelô, os agricultores Gilson Pereira e Francisco Gomes se uniram e dividiram informalmente um kit de irrigação do projeto e plantaram sorgo forrageiro para alimentar o rebanho de 10 vacas leiteiras.
“Foi a melhor coisa que apareceu, porque sem essa irrigação a gente não tinha essa silagem (forragem de sorgo) que está aqui na roça e alimentando as vacas que continuam dando leite”, explicou Gilson Pereira.
A produção diária é de 50 litros de leite. “A gente já sofreu muito no tempo seco para dar comida aos bichos”.
O coordenador de Irrigação da Ematerce, Nizomar Falcão, lembra que para o pequeno agricultor falta acesso ao crédito bancário por falta de garantia. “Sem dinheiro não há como implantar projeto de irrigação, mesmo em pequena escala”, pontuou. “Esse projeto está tendo boa receptividade”.
O agricultor de base familiar Francisco Gomes, também mostra-se satisfeito. “A irrigação assegura a produção no verão e o gado alimentado continua dando leite, dando renda”, disse. “Não tenho o que reclamar”. Ele teve aumento na produção e venda do leite em 10%.
Para Nizomar Falcão, o PIMP modifica a dura realidade vivida no segundo semestre no semiárido. “Sem produção a alimentação fica escassa, as reservas do primeiro semestre, período de chuva, chegam ao fim, daí a importância de se produzir durante todo o ano”, explicou. “É um projeto de largo alcance social”.
Fonte: Diário do Nordeste
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