Regional
Revoltados pela falta d’água moradores de Lavras destroem escritório da Cagece
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Os rastros da destruição ficaram em toda parte dentro do prédio (Foto: Paulo Sérgio de Carvalho)[/caption]Cerca de 500 moradores do município de Lavras da Mangabeira, região do Vale do Salgado, revoltados com a falta d’água nas torneiras das casas de bairros da cidade que já ultrapassa os 20 dias invadiram a sede da CAGECE-Companhia de Abastecimento e Gestão do Ceará e promoveram um grande quebra-quebra.

Os rastros da destruição ficaram em toda parte dentro do prédio (Foto: Paulo Sérgio de Carvalho)
A sede da companhia fica na Rua Monsenhor Maceno no centro de Lavras da Mangabeira. Os manifestantes derrubaram a grade da mureta de proteção e invadiram o prédio destruindo o que encontravam pela frente.
Os atos de vandalismo foram registrados na manhã desta segunda, 14/10. O destacamento da Polícia Militar foi informado da ocorrência via telefone 190. Segundo a polícia, quando os agentes chegaram ao local só encontraram o alambrado de proteção destruído e muita quebradeira, mas não foi possível identificar nenhuma das pessoas que participou do ato. Não há registro de feridos, pois a polícia não informou se havia alguém trabalhando no prédio quando os manifestantes chegaram. A depredação chamou a atenção de outros populares que se aglomeraram na frente do prédio.
Segundo o relato de outros moradores que residem nas imediações os manifestantes alegavam que estão há vários dias sem receber água em suas casas, e como não houve nenhuma providência do órgão no sentido de reativar o abastecimento das residências eles resolveram quebrar o recinto e os equipamentos. “Eles não podem mandar água pra gente, mas sabem mandar as contas que chegam todo mês, porque não falta conta, só falta água”, teria dito um dos líderes do movimento que não foi identificado. 
Os manifestantes quebraram as portas internas, birôs, lâmpadas, cadeiras, gelágua, computadores, central de ar, arquivos, vidraças, telefone, armários, e até equipamentos do almoxarifado usados na manutenção das redes de abastecimento foram destruídos e outros levados. Segundo a polícia, os prejuízos podem ultrapassar a cifra de R$ 30 mil reais. O caso está sendo investigado pelo delegado de Polícia Civil da cidade, Dr. Alexandre. Ele esteve no local juntamente com a Polícia Militar fazendo todos os levantamentos, no sentido de identificar e prender os invasores.
Adutora 
A polícia foi chamada para conter a multidão, mas nenhum vândalo foi identificado ou preso

A polícia foi chamada para conter a multidão, mas nenhum vândalo foi identificado ou preso
Nos últimos dias, o abastecimento d’água na cidade foi comprometido pelos muitos problemas registrados na adutora que transporta a água da estação de tratamento em Quitaiús, distrito de Lavras, até a sede do município, numa distância de 28 km. As sucessivas quebras na adutora, como também atos de vandalismo nos canos ao longo do percurso cooperaram para a falta d’água na cidade.
De acordo com informações da Cagece, técnicos do órgão visando consertar atos de vandalismo praticados nos últimos dias precisaram fechar as descargas que eram abertas clandestinamente pela madrugada, desperdiçando água e comprometendo o abastecimento da cidade.
Os técnicos também detectaram inúmeras ligações clandestinas na localidade de Palmeira impedindo que a água chegasse com toda força na cidade. Em apenas um dia a equipe da CAGECE de Juazeiro do Norte retirou oito ligações clandestinas que correspondiam a uma vazão de 225 mm, restando apenas 25 mm de água para chegar à cidade.
De acordo com a gerência da Cagece, o abastecimento de água já estava voltando a normalidade quando aconteceu a invasão ao escritório. Ainda conforme a Companhia, se não houver novo vandalismo ou defeito na adutora, toda a cidade deverá ter o sistema restabelecido em sua totalidade em no máximo dois dias.
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