Iguatu
Empresa passa a gerir cemitério Senhora Santana
Túmulos quebrados, presença de animais abandonados, manutenção precária e um histórico de problemas acumulados ao longo dos anos traduzem a situação do cemitério Senhora Santana. Para mudar o quadro, a gestão do espaço, que era até então a cargo de uma das paróquias da Diocese local, transferiu o cemitério a uma empresa especializada no seguimento de gerenciamento em acordo assinado nesta sexta-feira, 01.
A parceria se deu por meio de contrato de terceirização por 20 anos. O acordo concretizou-se, após oito meses de conversação entre os interessados diretos, representados pelos respectivos setores jurídicos. “Alimentado pelo que sempre nos perguntavam seja a impressa ou pessoas mais próximas da igreja, de como poderíamos melhorar aquele espaço, vimos como solução esse caminho. Era uma necessidade. Sentamos com o conselho econômico paroquial e a diocese e vimos que o caminho era estreitar essa parceria”, afirmou Padre Roberto, pároco da Matriz de Senhora Santana.

Padre Carlos Roberto afirma que atual situação do cemitério prevaleceu para decisão (Foto: Thiedo Henrique/Mais FM)
Com vários casos de vandalismo e problemas no setor elétrico, por diversas vezes registradas no espaço, o padre adiantou as contrapartidas exigidas pela igreja à empresa. “A principal é que a empresa tenha o zelo que não tivemos. Todos conhecem a atual situação do espaço, tomado por lixo e insegurança”, contou.
Jocélio Viana, sócio proprietário da empresa Ômega Construções e Serviços, adiantou como será a política de gestão no cemitério e como a empresa promete intervir no espaço tido como limitado. “Queremos levar melhorias. Já iniciamos o processo de limpeza, vamos estudar a chance de calçar o espaço, que sofre com a areia exposta, expondo risco à saúde de quem lá vai visitar seus falecidos. Desde que iniciamos as conversas, estamos estudando, juntos, as intervenções com a possibilidade de mudar a fachada, ornamentar com fontes e monumentos religiosos e uma iluminação adequada”, contou.
Assim como no Cemitério Parque da Saudade, local gerido também pela OMEGA, a arrecadação que é exigida pela empresa será revertida em melhorias para o setor. “Passaremos a cobrar uma tarifa de R$ 20,00 mensais. Um valor insignificante para o que pretendemos fazer, como construir passarelas de proteção de chuva e sol, e colocação de bancos nos locais onde for possível”, disse Viana.

Zé Coveiro afirma também não saber qual o certo é idade do cemitério e tampouco o numero de pessoas enterradas (Foto: Thiedo Henrique/Mais FM)
Provável insatisfação
A mudança deve gerar descontentamento nas pessoas que passarão a arcar com taxas de manutenção. Para superar esse tipo de desconforto entre a empresa, paróquia e familiares o diálogo será estreitado. “Como qualquer mudança, essa pode acarretar algum tipo de insatisfação. Vamos transpor essa barreira com diálogo e serviço prestado da melhor forma. Quando chegar o Dia de Finados, todos vão ver que foi a melhor escolha”, disse padre Roberto.
Busca por dados
O funcionário mais antigo, José André da Silva, 76, o popular “Zé Coveiro”, trabalha no local há 52 anos. Ele não sabe ao certo quantas pessoas estão sepultadas no antigo cemitério, mas aponta duas lápides com o ano de 1913 escritas como se lá estivem sido enterrados dois entes queridos.
Passaram-se desde então 105 anos e agora tanto a empresa como a paróquia buscam certidões junto aos cartórios da cidade e livros da igreja um número exato de quantos sepultados estão no local. “Passaremos a ter um controle a partir de agora, inclusive registrado nos cartórios. Vamos contatar as pessoas enviando cartas, usando os veículos de comunicação no propósito de explicar nossa proposta”, adiantou Jocélio.
Em meio a processo de limpeza e estudos do local situado próximo ao centro da cidade, o antigo e folclórico funcionário do cemitério espera dias de tranquilidade. “Se for pra melhorar, acredito que a população que possui parente aqui [no cemitério] vai gostar da mudança. Todos esperam que mude pra melhor”, resumiu Zé Coveiro.
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