Iguatu
Nordeste começa a definir o mapa eleitoral de 2026; veja como estão as disputas nos nove estados
Governadores buscam reeleição, ex-governadores tentam retornar ao poder e oposição aposta em novas alianças; duas vagas ao Senado em cada estado também estarão em jogo
A eleição de 2026 começa a ganhar contornos cada vez mais definidos no Nordeste. Com o encerramento do período de convenções partidárias, os nove estados da região entram na fase decisiva de formação das chapas que disputarão os governos estaduais e as duas vagas ao Senado disponíveis em cada unidade da Federação.
O cenário é marcado por disputas entre governadores que tentam permanecer no cargo, ex-governadores que buscam retornar ao poder e grupos de oposição que trabalham para interromper ciclos políticos.
O levantamento do PontoPoder, atualizado pelas movimentações mais recentes, revela um Nordeste eleitoralmente fragmentado e com algumas das disputas mais importantes do país.
Ceará: Girão sai da disputa e Pedro Brito assume candidatura do Novo
No Ceará, o governador Elmano de Freitas busca a reeleição e terá como principal adversário Ciro Gomes, que lidera o campo de oposição.
Uma das principais mudanças no cenário ocorreu com Eduardo Girão. O senador deixou a disputa pelo Governo do Ceará depois de ser escolhido como candidato a vice-presidente da República na chapa de Romeu Zema (Novo).
Para ocupar o espaço deixado por Girão na eleição estadual, o Novo oficializou Pedro Brito como candidato ao Governo do Ceará. General Theophilo foi confirmado pelo partido para a disputa ao Senado.
A corrida pelo Palácio da Abolição passa, portanto, a ter Elmano, Ciro e Pedro Brito entre os principais nomes, além de outras candidaturas que foram colocadas no cenário durante o processo de formação das chapas.
No Senado, a disputa também promete ser relevante, com nomes como Cid Gomes, Eunício Oliveira, Luizianne Lins, Capitão Wagner, General Theophilo, Alcides Fernandes e Priscila Costa aparecendo no tabuleiro eleitoral.
A mudança envolvendo Girão tem ainda uma dimensão nacional: o Ceará deixa de ter o senador como candidato ao Governo e passa a ter um cearense diretamente envolvido na disputa pela Presidência da República.
Bahia: ACM Neto tenta novamente derrotar o grupo de Jerônimo
Na Bahia, a disputa coloca novamente frente a frente ACM Neto e o atual governador Jerônimo Rodrigues.
O ex-prefeito de Salvador tenta chegar ao Palácio de Ondina, enquanto Jerônimo trabalha pela reeleição e pela manutenção do grupo político que governa o estado.
O confronto é considerado estratégico para os dois principais campos políticos baianos e deverá ter forte influência das alianças nacionais.
Maranhão: Braide e Orleans concentram a disputa
No Maranhão, o cenário também sofreu forte movimentação durante a preparação das candidaturas.
Eduardo Braide, prefeito de São Luís, e Orleans Brandão aparecem como os principais protagonistas da disputa pelo Governo, enquanto Felipe Camarão, do PT, também integra o cenário eleitoral.
A disputa ganhou importância dentro da própria base governista e transformou o Maranhão em um dos estados nordestinos com maior potencial de competição.
O Senado também deverá ter peso importante na formação das alianças. Entre os movimentos de maior repercussão está o retorno de Roseana Sarney ao jogo eleitoral, com candidatura ao Senado.
Pernambuco: Raquel Lyra e João Campos protagonizam uma das principais disputas
Em Pernambuco, a eleição coloca frente a frente a governadora Raquel Lyra e o ex-prefeito do Recife João Campos.
Raquel busca a reeleição pelo PSD, enquanto João Campos foi oficialmente confirmado pelo PSB como candidato ao Governo.
A disputa representa também um confronto entre dois grupos políticos tradicionais e poderá ser influenciada diretamente pela eleição presidencial e pelo posicionamento das forças ligadas ao presidente Lula.
Pernambuco deverá ser um dos estados mais observados durante a campanha, tanto pela dimensão eleitoral quanto pelo peso político de seus principais candidatos.
Paraíba: três nomes disputam espaço no cenário
Na Paraíba, Lucas Ribeiro, Cícero Lucena e Efraim Filho aparecem entre os principais nomes do cenário para o Governo.
Cícero Lucena, prefeito de João Pessoa, tenta transformar sua força eleitoral na capital em uma candidatura competitiva em todo o estado. Lucas Ribeiro representa o grupo governista, enquanto Efraim Filho busca consolidar uma alternativa de oposição.
A disputa permanece aberta e dependerá diretamente das alianças que serão consolidadas para o primeiro turno.
Piauí: Rafael Fonteles tenta manter o controle do Palácio de Karnak
No Piauí, o governador Rafael Fonteles trabalha para permanecer no cargo.
O cenário piauiense apresenta vantagem política inicial para o grupo governista, mas a oposição busca construir uma candidatura capaz de levar a eleição para uma disputa mais competitiva.
O estado continua sendo um dos principais redutos eleitorais do grupo político ligado ao PT no Nordeste.
Rio Grande do Norte: três nomes concentram a disputa
No Rio Grande do Norte, o cenário reúne Cadu Xavier, Allyson Bezerra e Álvaro Dias.
Levantamento da AtlasIntel divulgado em julho colocou Cadu Xavier na liderança da disputa, com 36,3%, à frente de Álvaro Dias e Allyson Bezerra.
A presença de três candidaturas competitivas torna o estado um dos exemplos mais claros de uma eleição aberta no Nordeste, com possibilidade de segundo turno e forte disputa pela formação das alianças.
Sergipe: Mitidieri tenta a reeleição
Em Sergipe, o governador Fábio Mitidieri busca a reeleição e enfrenta Valmir de Francisquinho, nome que representa o campo de oposição.
A disputa deverá colocar em confronto a estrutura do grupo governista e a força eleitoral da oposição, em uma eleição que também terá reflexos na composição da bancada sergipana no Congresso.
Alagoas: JHC e Renan Filho protagonizam disputa acirrada
Em Alagoas, a disputa pelo Governo reúne dois nomes de grande peso: JHC, ex-prefeito de Maceió, e Renan Filho, senador e ex-governador.
As pesquisas divulgadas nos últimos meses apresentam cenários diferentes, evidenciando uma eleição ainda bastante competitiva. Levantamento da Vox Brasil divulgado em julho apontou Renan Filho à frente, enquanto pesquisa TDL divulgada posteriormente colocou JHC na liderança.
A diferença entre os levantamentos mostra como a disputa alagoana permanece aberta e sujeita às movimentações de campanha e às alianças políticas.
Senado pode alterar o equilíbrio político em Brasília
Além das eleições para os governos estaduais, o Senado será um dos principais campos de batalha de 2026.
Cada estado nordestino elegerá dois senadores, totalizando 18 cadeiras em disputa na região.
O resultado poderá alterar significativamente a correlação de forças no Congresso Nacional a partir de 2027. Por isso, as alianças para o Senado estão sendo tratadas pelos partidos como parte estratégica das eleições estaduais.
Em vários estados, a composição das chapas para governador e senador já revela a tentativa dos grupos políticos de construir blocos capazes de influenciar não apenas o resultado estadual, mas também a futura composição do Congresso.
Um Nordeste dividido entre continuidade e mudança
O mapa eleitoral nordestino começa a apresentar dois movimentos simultâneos.
De um lado, governadores buscam utilizar a estrutura política e administrativa de seus governos para conquistar a reeleição. De outro, ex-governadores, prefeitos, senadores e lideranças oposicionistas tentam transformar o desgaste dos grupos governistas em oportunidade para mudar o comando dos estados.
O cenário também mostra que a eleição estadual estará diretamente conectada à disputa presidencial.
O caso de Eduardo Girão é um exemplo claro dessa conexão: o senador deixou a disputa pelo Governo do Ceará e passou a integrar a chapa presidencial de Romeu Zema, enquanto o Novo colocou Pedro Brito em seu lugar na corrida estadual.
Com as chapas praticamente definidas, o próximo passo será a campanha propriamente dita. A partir daí, alianças, pesquisas, debates, exposição dos candidatos e principalmente a transferência de votos das lideranças nacionais deverão redesenhar o mapa político do Nordeste.
A região, que tradicionalmente exerce papel decisivo nas eleições presidenciais, terá em 2026 uma importância ainda maior: além de definir os nove governos estaduais, os eleitores nordestinos escolherão 18 senadores, deputados federais e estaduais e participarão diretamente da disputa pela Presidência da República.
O resultado poderá redesenhar o poder político do Nordeste e estabelecer, a partir de 2027, uma nova correlação de forças entre os governos estaduais, o Congresso Nacional e o Palácio do Planalto.
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