Brasil
Brasil tem energia mais cara que a de 77 países, apesar de matriz renovável
O Brasil possui uma das matrizes elétricas mais renováveis do mundo, com participação crescente das fontes solar e eólica. Mesmo assim, o custo da energia elétrica para os consumidores brasileiros supera o de 77 países, segundo levantamento do Centro de Liderança Pública (CLP), que considera fatores como renda, nível de preços e características da matriz energética.
O estudo analisou 138 países e colocou o Brasil na 66ª posição. A tarifa média nacional foi estimada em US$ 0,357 por quilowatt-hora, ajustada pela paridade do poder de compra. Na China, por exemplo, o valor é de US$ 0,155. Já países como França, Chile, Colômbia e Itália apresentam tarifas superiores às brasileiras.
De acordo com o levantamento, a vantagem da geração renovável e competitiva acaba reduzida pelos custos existentes entre as usinas e os consumidores. A energia representa cerca de 30,4% da conta de luz, enquanto a distribuição corresponde a 26,1%, a transmissão a 10,1%, os encargos setoriais a 15,2% e os tributos a 18,1%. Perdas técnicas, fraudes e limitações na infraestrutura também contribuem para encarecer o serviço.
Entre os fatores apontados está a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), principal encargo setorial pago pelos consumidores, que alcançou R$ 52,7 bilhões em 2026. O estudo destaca ainda os efeitos de subsídios e de decisões legislativas que determinaram contratações de usinas termelétricas e hidrelétricas, cujos custos podem ser repassados às tarifas. Pesquisadores ouvidos na análise defendem maior transparência e revisão de políticas que já não apresentam justificativa suficiente.
O levantamento também simulou cenários de reforma do setor elétrico. Em uma hipótese mais ampla, com redução de encargos, perdas e 50% da carga fiscal estimada, a tarifa poderia cair 32,3%, passando de US$ 0,357 para US$ 0,241 por quilowatt-hora. Uma reforma restrita aos subsídios teria redução estimada de 9,68%. As propostas incluem modernizar a rede, revisar incentivos e buscar um modelo de preços que reflita melhor os custos reais do sistema. (foto: Divilgação)
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