Artigo
COLUNA DIREITO E CIDADANIA: A AGRESSÃO DE LESA HUMANIDADE DOS EUA E O EQUÍVOCO DOS SEUS DEFENSORES NO BRASIL
O mundo assistiu, entre estarrecido e amedrontado, à invasão de um país soberano, seguido do sequestro de seu Presidente, tudo sob as justificativas de “combate ao narcoterrorismo internacional” – termo cunhado para incriminar de forma bem pontual lideranças da América Latina – e em “defesa da democracia”, outro termo tão usado quando ilusionista.
Obra dos Estados Unidos da América, império em visível decadência econômica, moral e financeira, que, mais uma vez, autoproclamando-se tutor e imperador do mundo, se veem no direito de interferir nas economias e decisões políticas de diversos países ao redor do planeta, e agora em especial da América Latina, o que só faz quando interesses seus estão sendo contrariados, em especial no campo econômico.
No caso da Venezuela, após décadas de pressão e embargos econômicos e ameaças a empresas e autoridades daquele país soberano – que desde que implantou a Revolução Bolivariana, com Hugo Chavez, não se curvou mais aos caprichos do saqueador Ianque na ordem econômica mundial e aliou-se aos países membros e aliados do BRICS -, os EUA vieram com mísseis e drones de destruição, numa agressão arbitrária e unilateral, sem prévia declaração de estado de guerra e evidente afronta às leis e tratados internacionais.
Mas não pensemos, meus amigos, que tal ação tem calço em qualquer outra justificativa que não seja o de espoliar a riquezas minerais do país vizinho, pois a tal “defesa da democracia” e o “combate ao terrorismo” são meras cortinas de fumaça para encobrir crimes de guerra e de lesa humanidade.
Com efeito, em todos os países em que a Águia Norte Americana pôs suas garras o fez para fomentar a fome, miséria e desesperança em inúmeras populações, já sofridas pelos embargos econômicos, e que passam a ser subjugadas e espoliadas em suas riquezas e jazidas petrolíferas. Foi assim com o Iraque, a Líbia e o Afeganistão, o Chile nos anos 1970 e, mais recentemente, a Síria, Irã, Nigéria, Iêmen e Somália, países alvo de bombardeio dos EUA nos últimos 12 meses.
Não obstante os seguidos exemplos de destruição, ruinas e aniquilação de populações inteiras, infelizmente, há entre nós brasileiros quem defenda e comemore a forma de agir da ditadura Ianque e de seu representante atual, Donald Trump, o que revela que grupos internos, que não se conduzem como defensores da soberania nacional, ainda que chamem para si, falsamente, a condição de “patriotas”, poderiam entregar nossas riquezas, caso tivessem oportunidade, como aqueles que traíram Nicolás Maduro e o entregaram aos militares estrangeiros, ainda que ao custo da miséria do nosso povo e da terra arrasada que teríamos adiante.
Esta conduta, convenhamos, não é a postura de cidadania de um nacional patriota verdadeiro.
ROMUALDO LIMA.
Procurador Federal
Conselheiro vitalício do Conselho da OAB – Subseção Centro Sul do Ceará
ex-Conselheiro estadual da OAB/CE
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