Brasil
Trabalhadores processam Volkswagen por regime análogo à escravidão; Ministério aponta incentivos da ditadura
Um grupo de trabalhadores ingressou com ação judicial contra a Volkswagen, acusando a montadora de submeter empregados a condições análogas à escravidão em uma fazenda mantida pela empresa no Brasil durante o período da ditadura militar.
Segundo o Ministério Público, a propriedade rural — utilizada para criação de gado na região amazônica — teria se beneficiado de incentivos fiscais e apoio estatal concedidos pelo regime militar, o que, de acordo com os procuradores, contribuiu para a manutenção de um modelo de exploração baseado em violações graves de direitos humanos.
Acusações
De acordo com os relatos reunidos na ação, trabalhadores eram submetidos a:
- Jornadas exaustivas;
- Condições degradantes de alojamento e alimentação;
- Restrição de locomoção;
- Endividamento forçado, prática comum em sistemas de trabalho escravo contemporâneo.
As denúncias indicam que tais práticas ocorreram em larga escala e de forma sistemática, com conhecimento da estrutura administrativa responsável pela fazenda.
Incentivos da ditadura
O Ministério Público sustenta que a fazenda recebeu benefícios fiscais, créditos subsidiados e facilidades administrativas concedidas pelo Estado brasileiro durante a ditadura, como parte da política de ocupação econômica da Amazônia. Para os investigadores, esse contexto institucional criou condições para abusos trabalhistas e ausência de fiscalização efetiva.
Responsabilização histórica
A ação busca não apenas reparação financeira às vítimas, mas também o reconhecimento da responsabilidade histórica da empresa. Os autores defendem que a apuração é fundamental para a memória institucional do país e para evitar a repetição de práticas semelhantes.
Em nota, a Volkswagen tem afirmado, em casos semelhantes, que coopera com investigações e que revisa fatos históricos à luz de documentos e estudos independentes. O processo segue em tramitação na Justiça brasileira.
O caso reacende o debate sobre o papel de grandes empresas durante o regime autoritário e sobre a responsabilização por violações de direitos humanos ocorridas sob amparo de políticas estatais da época.
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