No dia 1º de junho, o Ceará registrou 50.504 casos confirmados de Covid-19 e 3.1878 mortes, sendo 30.918 casos e 711 óbitos nas macrorregiões de Sobral, Cariri e Sertão Central. No final do mês, a situação já era completamente distinta, indicando um agravamento da pandemia no Interior: os casos subiram para 47.205 e os óbitos, para 1.408, representando um aumento de 52% e 98%, respectivamente.

“O aumento era esperado, considerando a dificuldade que as pessoas têm de cumprir o isolamento social. O Crato e toda a região do Cariri têm estado em isolamento desde março, ou seja, um período muito longo e, considerando a vulnerabilidade das pessoas, fica difícil mesmo mantê-las em casa. A primeira onda (de contágios) foi em Fortaleza e Região Metropolitana, ao passo que a segunda está acontecendo no Interior, especialmente aqui no Cariri. Junho foi um mês ruim para a gente mas infelizmente, estamos com a previsão de que julho seja pior, pelo aumento no número de novos casos e mortes”, destaca Marina Feitosa, secretária de saúde do Crato.

“Apesar do aumento no número de casos, a letalidade tem se mantido baixa – tivemos só 12 óbitos no mês, o que significa que nosso sistema de saúde está com suficiência de leitos, principalmente por causa do Hospital Regional do Cariri. A taxa de ocupação hospitalar para pacientes com Covid está em apenas 25% agora, mas estamos vigilantes para as próximas semanas. Outro aspecto importante é que estamos testando mais, o que aumentou o número de casos identificados”, afirma. O município entrou em isolamento social rígido na segunda-feira, 29.

Já em Sobral, sede da macrorregião, o aumento no número de casos foi registrado, apesar do isolamento social rígido. Junho foi o mês com pior quadro desde o início da pandemia: os casos confirmados aumentaram de 2.474 para 6.782, um crescimento de 174,13%, e o número de óbitos foi de 85 para 228. O município permanece atrás apenas de Fortaleza na quantidade de registros da doença.

“Testamos muito em junho, o que afeta diretamente o número de confirmados, mas também teve a questão do descumprimento do isolamento social por parte da população. Vários finais de semana e feriados tiveram intensa movimentação na cidade. A abertura de Fortaleza impacta o isolamento em Sobral, que é uma cidade de comércio e tem fluxo constante para a capital”, justifica Josiane Dorneles, assessora técnica da Secretaria da Saúde de Sobral.

“Em julho, esperamos que, com a ampliação dos leitos de enfermaria e UTI, consigamos atender essa população com uma segurança maior. Sem dúvida, junho foi o mês mais crítico, mas julho ainda pode reservar muitas surpresas. A Covid-19 é uma doença nova e ninguém ainda pode dizer com certeza qual o comportamento da pandemia. O ritmo de transmissão aqui está acima de 1, ou seja, não é o ideal, e não dá para dizer que houve alguma estabilização. Estamos é no pico”, diz.

A macrorregião do Sertão Central teve um aumento de 4.927 para 6.796 casos em junho, um crescimento de 38%. A taxa de ocupação nos leitos de UTI estava em 90%, de acordo com dados do IntegraSus atualizados ontem às 14h15.

Fonte: O Povo