Para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a inesperada troca no comando do Exército vai ajudar o Brasil a “voltar à normalidade”. Na sexta-feira, ele exonerou o general Júlio César Arruda, indicado pelo ministro da Defesa, José Múcio, e nomeado ainda no governo Bolsonaro, e o substituiu pelo general Tomás Miguel Ribeiro Paiva. Dias antes Lula disse que militares haviam sido coniventes com os atos terroristas do dia 8 em Brasília e que as Forças Armadas não eram um “poder moderador”. “Escolhi um comandante do Exército que não deu certo. Tive uma boa conversa com o [novo] comandante, e ele pensa exatamente o que eu penso sobre as Forças Armadas. [Elas] não servem a um político, [mas] existem para assegurar a soberania do nosso país, sobretudo para evitar inimigos externos e desastres”, disse o presidente, que está em Buenos Aires.

Entre os motivos do otimismo de Lula estão conversas em que o general Tomás Paiva defendeu, junto a interlocutores do governo, a punição dos militares envolvidos em atos antidemocráticos. O ministro José Múcio, porém, ressalta que o novo comandante do Exército terá de fazer muitas “costuras internas” para pacificar os ânimos na caserna. Paiva terá hoje a primeira reunião com os generais do Alto Comando da Arma.

Situações como a que levou à demissão sumária do comandante do Exército já aconteceram antes. Aconteceram no Império, na Primeira República (1889-1930), na Segunda República (1945-1964) etc. Os militares chantageiam. E está acontecendo tudo de novo. Mas agora é diferente.

By Luís Sucupira

Jornalista - MTE3951/CE