Ceará
Estudo revela que variabilidade genética do cajueiro pode ser conservada por meio das sementes
Uma pesquisa realizada pela Embrapa Agroindústria Tropical (CE) e Embrapa Recursos Genéticos (DF) comprovou que o patrimônio genético do cajueiro pode ser conservado por meio de suas sementes. O resultado concluiu que sementes guardadas há 20 anos a – 20°C na Coleção de Base de Sementes (Colbase), atestaram um índice de germinação de 90%. A preservação dessas características é essencial para a manutenção da diversidade da espécie e para garantir resistência ao oídio, e outras doenças e pragas que poderão surgir no futuro.
O estudo de conservação do cajueiro existe desde a década de 1950, segundo a pesquisadora da Embrapa, Ana Cecília Castro. Porém, na época, o interesse era voltado para a produção da cajuína, e era feito com mudas – processo que ainda acontece até os dias de hoje para outros fins. “É uma questão de segurança alimentar. O cajueiro é uma planta de importância para o homem do Nordeste porque resiste ao estio. Se não se preserva hoje, vai faltar. O patrimônio genético seria toda a variabilidade genética da espécie”, explana.
Uma amostra das sementes que estavam congeladas foi solicitada depois que os cientistas realizaram testes de germinação favoráveis, com sementes de safras passadas, guardadas por até 10 anos em câmara refrigerada (18°C). Como as sementes perdem o potencial de germinação a partir de seis meses, a pesquisadora comenta que elas não eram guardadas por tanto tempo.
“A preservação se dá de várias formas, ou no local natural, de reservas de populações ou faz de forma artificial. A gente costuma escolher um tipo de conservação de acordo com a biologia da planta. O prioritário era ter as árvores”, explica. “Há 20 anos uma pesquisadora levou um lote para o congelamento em Brasília e ficou lá esse tempo todo. Eu pedi uma amostra para ver se estava germinando. Paralelamente, o viveiro que trabalha com melhoramento já vinha fazendo um trabalho com as sementes refrigeradas e já se percebia que reduzindo um pouco a umidade da semente, elas duram mais”.
O procedimento, no entanto, não garante que todas as sementes germinem com eficiência, visto que isso depende unicamente do grão. “Existe variação entre genótipos. Tem planta que naturalmente não tem 100% de germinação. Isso o congelamento não vai melhorar”, afirma Ana Cecília.
A cientista pondera ainda que, embora represente uma boa alternativa, esse avanço não substitui a necessidade de manter as plantas clonadas no campo, porque o cajueiro é uma espécie alógama. Isso significa que sua fertilização é cruzada. Ou seja, uma semente apenas não carrega todas as características expressas na planta que a gerou. “Se pego sementes no campo aleatoriamente, vou ter árvores diferentes, em termos de fenótipo. Para representar uma planta no BAG serão necessárias muitas sementes, ou simplesmente, obtê-la por clonagem”, explica.
O trabalho de conservação é feito também em outros bancos, mas no Nordeste, a escolha do cajueiro deve-se a sua importância para a produção local. “O carro chefe é o cajueiro”, finaliza a pesquisadora.
Fonte: Diário do Nordeste
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