Economia
Dólar chega a R$ 2,88 e frustra quem vai viajar


O dólar turismo fechou ontem a R$ 2,84 – elevação que teve reflexo nas casas de câmbio, onde chegou a ser vendido, temporariamente, por R$ 2,90
São Paulo/Fortaleza. O dólar voltou a subir de forma acentuada ante o real e ontem chegou ao maior nível em mais de nove anos. No fim do dia, o dólar fechou com alta de 2,01%, aos R$ 2,7410, marcando o maior patamar de encerramento desde 23 de março de 2005 (R$ 2,7500). A mudança no câmbio afeta diretamente os brasileiros que precisarão comprar dólar para viajar. O dólar turismo fechou ontem a R$ 2,84 – elevação que também gerou aumento no valor praticado nas casas de câmbio da Capital.
Na tarde de ontem, a reportagem pesquisou o preço do dólar em diversas unidades de Fortaleza. O menor valor encontrado foi R$ 2,85, na Ourominas. Contudo, segundo a supervisora administrativa do local, Marina Garcia, a moeda chegou a ser vendida a R$ 2,90 durante a manhã, baixando de preço ao longo do dia. Na Tour Star, o dólar turismo era vendido ontem a R$ 2,88 – mesmo preço praticado na Topping Tour. O valor foi o maior encontrado pela reportagem no fim da tarde de ontem, após o fechamento da moeda. Já na Sadoc, o preço praticado era de R$ 2,87. Para Marina, embora a alta tenha pesado no bolso dos clientes, a maior parte teve de arcar com a mudança no câmbio, por já ter passagens compradas para viajar ainda neste ano.
Expectativa frustrada
Preparando-se para viajar aos Estados Unidos no próximo mês, a jornalista Rebeca Marinho, de 23 anos, diz lamentar não ter já comprado o dinheiro que usará na viagem. “Estava esperando que baixasse mais perto (da viagem), mas não tive sorte”, conta.
Para Rebeca, o impacto da alta do dólar só não foi maior devido ao planejamento que realizou nos últimos meses, durante os quais poupou dinheiro suficiente para arcar com os gastos inesperados.
A moeda foi impulsionada pela aversão ao risco que se espalhou nos mercados financeiros, depois que a continuidade da queda dos preços do petróleo favoreceu um ataque especulativo contra a moeda da Rússia.
Diversos fatores
Segundo o vice-presidente do Instituto Brasileiro dos executivos de Finanças no Ceará (Ibef-CE), Ênio Arêa Leão, a recuperação da economia norte-americana, bem como fatores internos ligados ao cenário econômico brasileiro, também contribuíram para a alta do dólar nos últimos dias.
Conforme o economista, a tendência, para as próximas semanas, é que o dólar continue avançando. Para os brasileiros que viajarão no fim deste ano, ressalta, o ideal é comprar logo o dólar. “Se a pessoa pode arcar com os gastos, sem ter que cancelar a viagem, é preferível assumir logo esse custo”, frisa.
Nas últimas cinco sessões, o dólar acumulou alta de 5,63%. O volume de negócios totalizava US$ 1,235 bilhão perto das 16h30, sendo US$ 1,055 em D+2. No mercado futuro, o dólar para janeiro subia 1,46%, aos R$ 2,7465.
O Banco Central russo tentou conter a queda livre do rublo com uma medida drástica: elevou a taxa de juros do país de 10,50% para 17%. No entanto, o esforço foi em vão, já que a moeda chegou a perder 20% de seu valor em relação ao dólar mais cedo, intensificando preocupações com uma possível crise financeira no país.
Ceticismo
Apesar das declarações, os investidores se mantiveram céticos sobre a capacidade da Rússia em administrar a crise e se refugiaram em ativos considerado seguros, como iene e os bônus dos Estados Unidos.
Indústria quer moeda mais cara
São Paulo. A desvalorização do real frente ao dólar é vista com bons olhos pelos exportadores. Mas, na visão da CNI (Confederação Nacional da Indústria), para dar competitividade ao setor, o ideal é que o dólar fique ainda mais caro.
“As reformas necessárias vão levar ainda muitos anos. Então o que pode fazer com que tenhamos competitividade (no curto prazo)? Câmbio e juros. O dólar deveria estar hoje mais perto de R$ 3 do que de R$ 2,70”, afirmou Robson Andrade, presidente da CNI, ontem.
Ele afirmou, contudo, que é preciso um câmbio estável. Segundo Andrade, para que a indústria nacional tenha condições de competir, será preciso promover a reforma tributária, melhorar a infraestrutura do País e desburocratizar o comércio exterior.
Retração
Em 2014, a indústria deve fechar o ano com retração de 1,5%, enquanto a economia brasileira deve ficar estagnada, com alta de apenas 0,3%, estima a entidade.
Com exportações em queda, o Brasil deve ter saldo comercial negativo de US$ 4,5 bilhões, o primeiro deficit em quatorze anos. Para 2015, a previsão é de expansão de 1% no PIB industrial e na economia do país como um todo. Tal avanço, de acordo com a entidade, dependerá do sucesso do ajuste fiscal promovido pela nova equipe econômica de Dilma Rousseff.
Após um ano de 2014 “difícil e duro”, durante o qual o setor industrial teve “desempenho frustrante”, a CNI prevê leve melhora dos indicadores econômicos em 2015. A expectativa da entidade é que o PIB (Produto Interno Bruto), cresça timidamente ao longo do próximo ano e que os juros continuem em alta, freando o consumo e os investimentos.
Crescimento de 1%
Segundo o Informe Conjuntural Anual, estudo da CNI com previsões sobre a economia, o PIB deve crescer 1% no ano que vem, ou seja, metade dos 2% estimados pelo governo. Este ano, pelos cálculos dos economistas da CNI, o crescimento não passará de 0,3%, resultado que indicaria estagnação.
A entidade calcula que os juros terminarão, em 2015, em torno de 12,5% e que a inflação encerrará o próximo ano em 6,2%, quase o limite superior da meta fixada pelo governo.
Fonte: Diário do Nordeste
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