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Covid pode causar aborto e parto prematuro em pacientes grávidas
Se para grande parte dos pacientes a Covid-19 é motivo para temer pela própria vida, para outros, a preocupação vem em dobro. Mulheres grávidas já são propensas a desenvolver sintomas graves da doença, e o diagnóstico pode estar associado, também, a partos prematuros e até abortos espontâneos.
A relação causa-efeito entre o novo coronavírus e complicações gestacionais ainda carece de evidências mais sólidas, porém, há casos que demonstram que a infecção em pacientes grávidas pode contribuir para o aumento de abortos, partos prematuros, e de crianças que nascem com restrição de crescimento, conforme explica a obstetra Liduína Rocha, presidente da Associação Cearense de Ginecologia e Obstetrícia (Socego).
“A gente ainda está vivendo a pandemia e construindo as evidências, mas parece existir uma relação de aborto espontâneo, parto prematuro, restrição de crescimento, óbito fetal intraútero, com a presença da Covid. E parece ser independente, inclusive, de a mãe ter sintomas ou não”, detalha a médica obstetra.
A possibilidade foi verificada em uma pesquisa feita nos Estados Unidos e publicada pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças do país. Foram analisados os casos de 600 pacientes grávidas, com idades entre 18 e 45 anos, que desenvolveram a Covid-19 entre março e agosto. O estudo aponta que as gestantes com coronavírus têm maior probabilidade de ter parto prematuro ou sofrerem um aborto espontâneo, em comparação com mulheres sem a doença.
Quando se trata de desenvolver sintomas da doença, as pacientes grávidas seguem a tendência geral da população que contrai o vírus, ou seja, cerca de 70% a 80% das gestantes infectadas são assintomáticas ou pouco sintomáticas, conforme explica a presidente da Socego.
Em casos mais leves, nota-se a perda de olfato, de paladar, além de febre baixa. Já nos quadros mais graves, surgem o desconforto respiratório grave e a diminuição da oxigenação.
“Essa diminuição é responsável pelas complicações maternas, mas também é responsável pelas complicações do feto. Hoje, pacientes grávidas com saturação abaixo de 93% são mulheres que devem ficar em hospitais gerais ou maternidades que tenham UTI de adulto disponível, pela possibilidade da necessidade de resolução da gestação”, afirma.
Conforme o estudo, cerca de 12% das mulheres infectadas tiveram parto prematuro, índice superior à taxa de 10% observada na população em geral, nos Estados Unidos. A porcentagem foi ainda maior para mulheres sintomáticas: 23% delas tiveram parto prematuro. O aborto espontâneo também foi observado tanto em mulheres sintomáticas como em assintomáticas, com uma taxa geral de 2,2%.
Fonte: Diário do Nordeste
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