Ceará
Prefeitura de Fortaleza paga R$ 1,7 milhão a moradores do Edifício Andrea por desapropriação
A Prefeitura de Fortaleza anunciou nesta sexta-feira (4) que vai pagar o valor total de R$ 1,78 milhão aos proprietários de apartamentos no Edifício Andrea. Nove pessoas morreram e outras sete ficaram feridas com a queda do prédio, em 15 de outubro de 2019.
O valor é pela desapropriação do terreno, que passará a ser posse da Prefeitura de Fortaleza. O Governo do Estado do Ceará pretende adquirir o terreno para criar um quartel do Corpo de Bombeiros.
O dinheiro deve ser dividido entre 13 pessoas. O valor para cada um varia de acordo com a área do apartamento. De acordo com a prefeitura, o montante corresponde ao terreno e foi creditado na conta dos beneficiários. A repartição será feita entre os ex-condôminos.
Paulo Rômulo Bezerra Martins, proprietário de uma das unidades do edifício que estava localizado no bairro Dionísio Torres, aguarda receber R$ 135 mil. Segundo o comerciante, o valor é mínimo frente ao prejuízo financeiro enfrentado por ele e pela família desde a tragédia.
“Comprei o apartamento financiado. Depois daquela tragédia eu venho vivendo de favor, morando de favor. Perdemos tudo, mas não perdemos a vida. Brigo na Justiça para o banco suspender a parcela do financiamento. Já vai fazer um ano e nada. Eu preciso continuar pagando prestação de uma coisa que nem existe mais. Como é possível isso?”, questionou Paulo Rômulo.
Davi Sampaio, filho do comerciante, é um dos sobreviventes do desabamento. Davi ficou conhecido após registrar uma selfie em meio aos escombros e enviar a foto à família para mostrar que estava bem.
Tragédia
No momento que o prédio de sete andares desabou acontecia uma reforma no estacionamento. Um dos pilares de sustentação do edifício era “descascado” e não havia escoras naquela fase da obra.
Morreram Maria das Graças Rodrigues, 53; Eriverton Laurentino Araújo, 44; Vicente de Paula de Menezes, 86; Nayara Pinho Silveira, 31; Antônio Gildásio Holanda, 60; Frederick Santana dos Santos, 30; Izaura Marques Menezes, 81; Maria da Penha Bezerril Cavalcante, 81; e Roseane Marques de Menezes, 56.

Crime
No fim de janeiro deste ano, a Secretaria da Segurança Pública do Ceará informou que três pessoas foram indiciadas, sendo dois engenheiros e um pedreiro, acerca do desabamento.
Um laudo de peritos criminais engenheiros do Núcleo de Perícia em Engenharia Legal e Meio Ambiente (Nupelm), da Perícia Forense do Estado do Ceará, apontou que o desabamento ocorreu devido a um somatório de fatores.
“Não obstante o conjunto de anomalias e falhas na edificação, o fator determinante para o desabamento foi a intervenção inadequada nos pilares da base do edifício, caracterizada pela falta de escoramento de sustentação, além da execução de técnicas equivocadas durante a reforma do prédio, ausência de projeto e não cumprimento de procedimentos mínimos para evitar o colapso, ou até mesmo a evacuação mediante o risco do desabamento”, disse a pasta.
Fonte: G1 CE
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