Ceará
Famílias ciganas no Ceará têm problemas agravados durante a pandemia da Covid-19
A pandemia da Covid-19 potencializa problemas estruturais nas comunidades tradicionais no Ceará. Por conta das dificuldades, povos ciganos do interior cearense passaram a depender de distribuição de cestas básicas de alimentação e produtos de higiene para amenizar as dificuldades advindas da crise sanitária e econômica.
O alerta é reforçado pelo Instituto Cigano do Brasil (ICB), que atua com comunidades ciganes presentes no território cearense. “Falta política pública específica para os povos ciganos, quilombolas, de terreiros”, observa Rogério Ribeiro, presidente do ICB. “Só existem as ações voltadas para a população em vulnerabilidade social, de uma forma geral”.
Na última semana, a comunidade cigana do distrito de São Pedro, na zona rural de Jucás, na região Centro-Sul do Ceará, recebeu alimentos e kits de limpeza doados por meio do projeto Mesa Brasil, do Sesc. Inicialmente, 14 famílias foram beneficiadas. Essas ações, porém, não conseguem assistir toda a comunidade, embora sejam consideradas importantes.
“Foi alívio porque não tínhamos quase nada em casa. Estamos sem trabalho e renda desde o início dessa pandemia”, conta a dona de casa, Francisca Lopes.
Por meio de nota, o Ministério da Cidadania informou que mais de 2,6 milhões de famílias pertencentes a Grupos Populacionais Tradicionais e Específicos (GPTE) estão recebendo o Auxílio Emergencial do Governo Federal. São 15 grupos, entre eles os ciganos.
O Sistema Verdes Mares também solicitou esclarecimentos à Secretaria de Proteção Social, Justiça, Mulheres e Direitos Humanos sobre o pedido do ICB para implantação de políticas públicas específicas para os povos tradicionais, mas até o fechamento desta edição não houve retorno.
Dificuldades
Rogério Ribeiro observa, entretanto, que a maioria dos ciganos não conseguiu receber o auxílio emergencial do governo federal. “Muitas pessoas que precisam, não só povo cigano, ficou de fora, enquanto outros sem necessidade conseguiram se cadastrar e receber o benefício”.
Na região Centro-Sul, há duas comunidades ciganas na zona rural de Acopiara com 17 famílias. Em Pindoretama, no litoral cearense, de acordo com o ICB, são 30 famílias. Na capital cearense são 50. O maior núcleo está concentrado na cidade de Sobral, na região Norte, no bairro Sumaré, com 108 famílias.
“Precisamos da solidariedade de empresas, instituições para aliviar as dificuldades de nossa gente. Defendemos políticas públicas específicas para as populações tradicionais”, pontua Rogério Ribeiro.
Vulnerabilidade
De acordo com estudo da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), os povos tradicionais – indígenas, quilombolas e ciganos são mais vulneráveis à pandemia do coronavírus por afetar diretamente o modo de vida e de produção dessas populações (comércio ambulante e plantio agrícola).
O grupo de pesquisa mostra, ainda, que as populações tradicionais têm dificuldades para cumprir medidas de prevenção contra a Covid-19.
Os moradores necessitam manter a renda mensal e, para isso, têm de se deslocar aos centros urbanos para trabalhar. Além disso, residem, em grande parte, em unidades habitacionais pequenas, que não oferecem condições de isolamento domiciliar quando há membros da família contaminados.
Fonte: Diário do Nordeste
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