Tecnologia
Organismos que ‘comem’ meteoritos podem nos ajudar a encontrar vida alienígena
Pesquisadores usaram a bactéria ‘M.sedula’ para revelar ‘impressões digitais’ microbianas, que podem ajudar na busca por vida alienígena
Um descendente microbiano de algumas das primeiras vidas terrestres pode não apenas sobreviver comendo meteoritos, mas também, aparentemente, prosperar em rochas espaciais. Essas descobertas podem ajudar a detectar sinais de antigos alienígenas no universo.
Afinal, os seres humanos e todos os outros animais precisam comer matéria orgânica para sobreviver. Entretanto, o organismo unicelular Metallosphaera sedula, ou M. sedula, pode produzir sua energia comendo coisas não-vivas como metais, o que lhe permite prosperar em alguma das condições adversas da Terra – inclusive dentro de vulcões.
De acordo com um estudo publicado na última segunda-feira (02) na revista Scientific Reports, uma equipe liderada por cientistas da Universidade de Viena decidiu investigar o que aconteceria se tentassem alimentar M. sedula com um pouco do meteorito Northwest Africa 1172, descoberto em 2000.
Para isso, os pesquisadores colocaram células do organismo em placas esterilizadas do meteorito e alimentaram outras células moídas. Um terceiro grupo serviu como controle, com uma dieta de calcopirita, um mineral cobre-ferro-enxofre.
Surpreendente, o M. sedula devorou ainda mais rápido o meteorito do que a comida terrestre. “Descobrimos que a reação é muito boa”, disse a pesquisadora Tetyana Milojevic em entrevista à Motherboard. “Nossos alunos no laboratório também notaram imediatamente que as células são muito vivas e estão ‘dançando’ na rocha espacial”, completou.
A equipe usou um microscópio eletrônico para conseguir ver quais metais específicos dos meteoritos as bactérias consumiram e transformaram quimicamente, mesmo após a morte destes organismos. Isso poderia ser usando como uma pista para investigar a possível existência de vida extraterrestre.
“Realizamos este estudo para revelar impressões digitais microbianas – microfósseis contendo metais – deixados em um material extraterrestre rochoso”, afirmou Milojevic ao Gizmodo. “Isso deve ser útil para rastrear bioassinaturas para a busca da vida em outras partes do Universo. Se alguma vez a vida existiu em outro planeta, impressões digitais microbianas semelhantes ainda poderiam ser preservadas no registro geológico”.
Fonte: Olhar Digital
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