Ceará
Cidades do litoral cearense serão notificadas pelo Ibama sobre manchas de óleo em praias
O surgimento de manchas escuras oleosas em praias de vários estados do Nordeste, incluindo o Ceará, está mobilizando órgãos ambientais e de proteção da zona marítima. Nesta quarta-feira (25), todos os municípios do litoral cearense serão notificados sobre como proceder em relação ao problema. A informação é do chefe da Divisão Técnico-Ambiental do Ibama no Ceará, Muller Holanda.
“Estamos fazendo um plano de contingência do Rio Grande do Norte até Pernambuco, em parceria com outras instituições. Esse material pode ser vazamento de plataforma petrolífera ou descarga de navios. Foram coletadas amostras para análise em colaboração com a Petrobras, e aguardamos o estudo”, pontua Muller, afirmando ainda que a Marinha do Brasil tem integrado as reuniões.
Em nota, a Petrobras já informou que “o material encontrado não é produzido nem comercializado” pela estatal, e que “vem realizando, por solicitação do Ibama, limpeza de praias que apresentaram manchas de óleo nos últimos dias, nos estados de Alagoas, Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte”.
Material dispersado
No Ceará, além das manchas na Praia do Paracuru, Litoral Oeste, no sábado (21), banhistas relataram a presença de substância semelhante nas Praias do Futuro, do Porto das Dunas e da Sabiaguaba, em Fortaleza; de Cumbuco, na Região Metropolitana da capital; de Fortim, no Litoral Leste; e de Mundaú, no Litoral Oeste.
De acordo com Rivelino Cavalcante, professor do Curso de Ciências Ambientais da Universidade Federal do Ceará (UFC), a substância escura “pode ser fruto de lavagens de navios ou resíduos do transporte de materiais, tudo lançado em alto mar e dispersado até a costa”. O especialista aponta que “as correntes são bastante eficientes em dispersar essas substâncias a longas distâncias”.
A hipótese é reforçada por nota do Ministério do Meio Ambiente (MMA). “Grandes distâncias entre manchas de óleo encontradas em praias costumam indicar que o ponto de despejo está distante. Considerando que o litoral dos estados de Pernambuco, Alagoas e Rio Grande do Norte não concentra oleodutos e plataformas, órgãos ambientais consideram que o material seja procedente de embarcações. As características do piche indicam que o material tenha sido despejado há bastante tempo”, indica o documento.
Danos à fauna
O tempo necessário para remoção completa do “óleo” das praias nordestinas é “indeterminado”, conforme o cientista ambiental. “Não dá para prever nem ter ideia. O que pode ser feito é descobrir qual a fonte, se é derivado de petróleo da Venezuela, do Oriente Médio, dos Estados Unidos… Descobrir a chamada fingerprint do petróleo-fonte. Isso ajuda a saber quem foi o causador e, por consequência, a responsabilizá-lo pelo crime ambiental”, frisa.
O desenvolvimento de um plano de ação também é destacado pelo professor como “muito urgente”, já que, há cada minuto, vários animais podem morrer em consequência da substância. “Muitas das constituintes desse óleo são tóxicas à fauna marinha, é muito sério. É só uma mancha, mas causa impacto muito grande. Espécies maiores tendem a achar que é alimento, ingerem, e como é algo pegajoso, pra elas se libertarem disso é bastante complicado”, lamenta o ambientalista.
Nesta terça-feira uma tartaruga coberta pelo óleo foi achada morta no litoral do Piauí. Em uma praia na região do Porto de Suape, em Pernambuco, foram encontradas duas tartarugas mortas com manchas de piche nos cascos. Os animais foram recolhidos pela Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH). No Ceará, ainda não há registros de ocorrências similares.
Fonte: G1 Ceará
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