Iguatu
Ciro e o Preço da Aliança: O Ceará Vai Cobrar as Contradições?
Ciro Gomes decidiu mesmo entrar de vez na disputa pelo Governo do Ceará e, ao que tudo indica, abandonou de vez qualquer nova tentativa de candidatura à Presidência da República. Mas o problema começa justamente agora: para tentar voltar ao poder no Ceará, Ciro terá que caminhar ao lado de grupos que ele passou anos chamando do que havia de pior na política brasileira.
Nos bastidores já se comenta que a convivência não será simples. Ciro nunca aceitou dividir palanque com figuras ligadas diretamente ao bolsonarismo mais radical, especialmente com Flávio Bolsonaro. Só que política tem preço. E ao escolher se aproximar desse campo político, Ciro não terá como fugir do pacote completo: discurso, narrativa, alianças e até os absurdos que durante anos ele próprio denunciou.
Vai ser impossível evitar os TBTs. A internet vai resgatar vídeos, entrevistas e discursos em que o próprio Ciro classificava Bolsonaro e seus aliados como ameaça à democracia, como projeto autoritário e como símbolo do atraso político nacional. Agora terá que explicar ao eleitor por que resolveu caminhar justamente ao lado desse grupo.
E não será apenas uma contradição ideológica. Existe também um problema prático e eleitoral. Se Ciro quiser usar o velho discurso de que sabe administrar no “modelo PSDB”, vai precisar esconder exemplos que hoje viraram munição contra ele e seu grupo político. Iguatu, por exemplo, dificilmente ficará fora desse debate. A cidade virou símbolo de desgaste administrativo, crises políticas, disputas internas, denúncias e uma sensação crescente de abandono em áreas básicas.
Outro ponto complicado será insistir na narrativa de “libertar o Ceará”. Esse discurso pode até funcionar em bolhas políticas, mas em cidades como Iguatu a palavra “liberdade” acabou sendo associada por muita gente a uma espécie de libertinagem administrativa e política, onde vale quase tudo, onde promessas substituem gestão e onde a desorganização pública virou rotina.
Além disso, Ciro enfrentará um cenário diferente daquele de anos atrás. O discurso da violência e da falta de apoio às forças policiais perdeu força diante da melhora de indicadores de segurança pública em algumas regiões e do peso político do grupo governista liderado por Camilo Santana, que continua extremamente forte no Ceará. Camilo conhece a máquina política do estado como poucos e continua sendo peça central do tabuleiro eleitoral.
Ciro também terá dificuldade para justificar posições recentes. Como explicar a aproximação com grupos que defenderam anistia para envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro? Como convencer o eleitor de que continua sendo o mesmo político que dizia combater o extremismo, após terminar a última eleição abraçado justamente ao campo político que ele responsabilizava pela destruição institucional do país, pela condução caótica da pandemia e pelas mais de 700 mil mortes da Covid-19?
A contradição ficou grande demais para ser ignorada e nem lavada com detergente. E a pergunta que começa a surgir é inevitável: Ciro mudou de lado por estratégia política ou apenas revelou um lado que sempre esteve ali, esperando a oportunidade certa para aparecer?
A hora da verdade se aproxima. E desta vez não será possível fugir do próprio passado ou enterrar de vez o que sobrou do futuro.
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