Iguatu
EXCLUSIVO! RELATÓRIO ARCE: Fiscalização aponta falhas graves no abastecimento de água e sucateamento do SAAE de Iguatu
Relatório da ARCE revela pressão irregular, interrupções no fornecimento, risco de contaminação da água e estruturas deterioradas; autarquia foi recebida pela nova gestão com cerca de R$ 10 milhões em caixa
Iguatu, Ceará – 24.01.2026 – Uma fiscalização realizada pela Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados do Estado do Ceará (ARCE) identificou falhas graves e generalizadas na operação do Sistema de Abastecimento de Água de Iguatu, incluindo fornecimento irregular, pressão abaixo do mínimo legal, risco à qualidade da água e infraestrutura em avançado estado de deterioração.
O relatório, concluído em janeiro de 2026, avaliou aspectos técnicos, operacionais e de qualidade da água na sede do município e nas localidades de José de Alencar e Suassurana. As constatações apontam descumprimento do Código de Defesa do Consumidor e das normas do Ministério da Saúde, segundo o órgão regulador.
Abastecimento irregular e pressão abaixo do mínimo
Em medições contínuas realizadas entre 25 e 27 de novembro de 2025, a ARCE constatou que 100% das medições de pressão ficaram abaixo do limite mínimo permitido em trecho da localidade de José de Alencar. No mesmo período, quase 40% das medições indicaram descontinuidade no fornecimento de água, caracterizando interrupção indevida do serviço.
De acordo com a agência, fornecer água com pressão inferior ao padrão legal compromete o atendimento adequado à população e viola a legislação vigente.

100% das medições de pressão ficaram abaixo do limite mínimo permitido
Estruturas degradadas e risco à qualidade da água
A fiscalização encontrou reservatórios abertos, tampas de filtros oxidadas, vazamentos em sistemas de cloração e equipamentos corroídos, situações que, segundo a ARCE, podem comprometer diretamente a qualidade da água distribuída à população.
Foram registradas fissuras em reservatórios, presença de vegetação em áreas de armazenamento de água tratada e ausência de vedação adequada em diversas unidades do sistema.
Sucateamento generalizado do sistema
O relatório descreve um cenário de deterioração estrutural ampla e contínua em estações de tratamento, reservatórios, poços, elevatórias e na própria rede de distribuição. Vazamentos extremos em bombas e válvulas, tubulações oxidadas, armaduras expostas e filtros em estado crítico foram constatados em praticamente todas as unidades vistoriadas.
As falhas atingem tanto estruturas da sede de Iguatu quanto sistemas de comunidades rurais, indicando problemas estruturais persistentes e não pontuais.

Recursos disponíveis, folha inchada e a realidade do sistema
O cenário descrito pela ARCE ganha ainda mais relevância quando confrontado com a situação financeira da autarquia e as escolhas administrativas recentes. Conforme informações públicas, a atual gestão recebeu o SAAE com cerca de R$ 10 milhões em caixa no início da administração.
Além disso, reportagem publicada anteriormente por este veículo mostrou que, em outubro de 2025, documentos internos indicavam que a folha de pagamento dos contratados e comissionados girava em torno de R$ 45 mil mensais, o que representa aproximadamente R$ 540 mil por ano apenas em salários. Quando somada a ajuda alimentação de R$ 1.500 por servidor, a despesa anual alcança cerca de R$ 918 mil.
Os valores chamam atenção quando comparados à realidade financeira do SAAE, que fatura pouco mais de R$ 2 milhões por mês, cerca de R$ 24 milhões por ano. Ainda assim, segundo a própria gestão, uma das justificativas apresentadas para não pagar horas extras aos servidores efetivos seria a necessidade de economizar na folha de pagamento.
No início da nova gestão, o superintendente do SAAE chegou a afirmar que essa economia seria da ordem de R$ 600 mil por ano, recursos que seriam direcionados para melhorias na rede e nos serviços. No entanto, o relatório da ARCE evidencia que, mesmo com caixa elevado, faturamento expressivo e discurso de contenção de gastos, o sistema segue com estruturas sucateadas, vazamentos persistentes, falhas de manutenção básica e riscos à qualidade da água.

Riscos à segurança e ausência de informações
Além das falhas operacionais, a fiscalização apontou situações classificadas como risco direto de acidentes, como escadas e passarelas sem guarda-corpo, painéis elétricos sem sinalização, fiação exposta e armazenamento inadequado de cilindros de gás.
A ARCE também registrou que o SAAE não apresentou nenhuma das informações técnicas e operacionais solicitadas, como laudos de qualidade da água, dados de faturamento, registros de reclamações, indicadores de atendimento e o Plano Municipal de Saneamento Básico. A ausência desses dados foi registrada como agravante.

Determinações da ARCE
Diante das irregularidades, a ARCE determinou que o SAAE corrija falhas de operação e manutenção, assegure pressão adequada na rede, evite interrupções indevidas e adote medidas para garantir a qualidade da água e a segurança das instalações.
Embora a aplicação de multas ainda dependa de regulamentação específica, prevista para o segundo semestre de 2026, o relatório funciona como alerta técnico e institucional sobre a situação do abastecimento de água em Iguatu.
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