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‘Há uma banalização do vírus’, lamenta médico na linha de frente do combate à Covid-19
Com o aumento no número de casos da Covid-19 no Ceará, cresce também a preocupação e a frustração por parte de profissionais da saúde que atuam diretamente no enfrentamento da doença. Para o médico Diego Vieira, de 33 anos, a situação atual reflete que uma série de alertas vêm sendo ignorados.
“Se antes existia um medo e desinformação, hoje existe um desleixo. Morrem mais de mil pessoas por dia, e é isso, ‘vida que segue’. Se antes tinha um medo, agora é uma indiferença. Com as mortes, com a realidade. A gente nota isso tanta na esfera governamental, quanto na população. Agora a gente tem a informação, mas enfrentamos o vírus da indiferença em relação à pandemia”, declara.
Vieira está na linha de frente desde março do ano passado. De segunda a sexta-feira, a rotina dele inclui oito horas por dia no posto de saúde Ivana de Souza Paes, no Bairro Presidente Kennedy, em Fortaleza. Aos fins de semana, ele passa 12 horas de plantão em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no município de Baturité.
O médico reforça que o Brasil já ultrapassou a marca de 200 mil mortos pela Covid-19 e aponta ainda para uma possível subnotificação, considerando os pacientes que morreram infectados antes da existência do teste que identifica o coronavírus.
“Há uma banalização do vírus, da pandemia, virou uma coisa comum. A gente se acostumou a ver notícia de mil mortos por dia”, diz.
Em uma publicação feita em rede social, Vieira descreve a frustração ao atender pacientes que revelam ter frequentado festas – em especial durante o Ano Novo – e, além de contrair a doença, transmitir para parentes que integram grupos de risco. Ele avalia que a situação reflete uma série de alertas que vêm sendo ignorados.
“É tão claro o que precisa ser feito, e as pessoas não fazem. E estamos vendo as consequências disso. Se você for em uma festa porque diz que ‘precisa desopilar’ e no dia seguinte abraça sua mãe e ela morre de Covid, a culpa é sua. Você sabia o que devia ser feito e você não fez. Não ouvem os médicos, os cientistas, os alertas na imprensa. Vocês não querem ouvir ninguém. Isso é o desabafo de alguém que está exausto”, admite.
“Mas eu não desisti, continuo falando e trabalhando todo dia. Já atendi pacientes com Covid hoje, pacientes graves, jovens com Covid. A gente atende casos assim todo santo dia”, relata o médico.
Ele expressa a preocupação para com os colegas de trabalho, cuja saúde mental vem se agravando durante a pandemia. Em alguns casos, profissionais deixaram de trabalhar em plantões mais intensos após desenvolverem sintomas de depressão, ansiedade e exaustão.
“A maioria dos meus colegas da área de saúde, como um todo, está com sintomas de problemas de saúde mental. Tenho colegas que pararam de dar plantão, que trabalhavam em posto de saúde e não aguentavam mais, tiveram surtos por não suportar mais verem pessoas morrendo por causa evitável, e pararam”, lamenta.
Fonte: G1 CE
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