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A oportunidade de ter uma licença-paternidade por seis meses fez toda a diferença para o mecânico de manutenção Kelson Souza, 35, na chegada do seu segundo filho. Ele vai comemorar o Dia dos Pais, no próximo domingo, 9, ao lado do pequeno Paulo Victor, de nove meses e de Izabelly, de oito anos. No entanto, a maioria do pais empregados no Brasil não conta com essa possibilidade, já que a lei garante licença de apenas cinco dias, chegando ao máximo de 20 dias em alguns casos.

Kelson é funcionário da empresa Diageo (Ypióca, no Ceará) e explica que teve o amparo financeiro garantido para se afastar do serviço com tranquilidade em 2019. “Foi muito importante porque pude dar o auxílio necessário para minha esposa, acompanhar todos os primeiros meses do meu filho. Tem todo um processo, pelo menos nos primeiros seis meses até a adaptação, que é muito difícil para a mãe”, diz.

Além de auxiliar a esposa em casa, Kelson comemora ter conseguido participar de momentos únicos no desenvolvimento do filho, como o surgimento dos primeiros dentes ou as consultas médicas necessárias. Ele considera que isso foi fundamental para reforçar seu vínculo de afeto com Paulo Victor.

O líder de produção Sérgio Barbosa, 33, não teve a mesma chance de Kelson no nascimento das filhas Júlia, de 11 anos, e Lia, de quatro. Atuante no segmento de energia eólica, ele geralmente precisa fazer viagens pelo Brasil ou exterior que podem durar até meses. “Não consegui aproveitar muito bem porque em cinco dias não se consegue fazer nada. Os dois partos foram cesáreos e não tive como dar um suporte melhor para elas. Precisei pagar uma pessoa por fora pra cuidar da minha esposa, pós-operada, e da casa”, relata.

Com a esposa grávida de cinco meses do terceiro filho, Sérgio não tem dúvidas de que um período maior de licença seria essencial no suporte à família. “Uma licença paternidade de seis meses seria excelente, daria para aproveitar ao máximo e resolver tanta coisa. Se fossem três meses já era muito, mas cinco dias é pouco demais”, lamenta.

No País, atualmente a mãe tem direito a pelo menos 120 dias de licença-maternidade no setor privado, podendo chegar a 180 dias no caso de empresa cadastrada no programa Empresa Cidadã, do Governo Federal, ou do setor público. O pai tem direito a cinco dias de licença-paternidade, podendo chegar a 20 dias. Em situações onde a mãe morre logo após o parto, é comum que aos pais seja concedido a licença materna.

Uma pesquisa feita pela Talenses Group, especializada em recrutamento e seleção, e pela Consultoria Filhos no Currículo revela que a cada 10 empresas brasileiras, apenas duas oferecem licença paternidade estendida de 20 dias. Foram 721 profissionais entrevistados em dezembro de 2019. Apenas 7% das corporações ofereciam mais de dois meses de licença-paternidade.

Entre as empresas que ainda não implementaram o benefício estendido para os pais, 73,4% enxergam que a retenção de talentos seria um resultado positivo da adoção da medida. Por outro lado, 10,9% consideram que haveria perda de rentabilidade com a licença-paternidade estendida de 20 dias.

Fonte: O Povo