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EXCLUSIVO: Saque de R$ 400 mil em espécie; esquema de desvio na merenda teria movimentado mais de R$ 19 milhões

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Iguatu (CE) 01/01/2026 — Uma operação da Polícia Federal resultou, na tarde de 30 de dezembro de 2025, na prisão em flagrante de dois homens dentro de uma agência do Banco do Brasil, no município de Iguatu, região Centro-Sul do Ceará.

Na mochila de um dos investigados, os agentes encontraram R$ 400 mil em dinheiro vivo, recém-sacados, sem justificativa plausível para a movimentação fora do sistema bancário.

Segundo a Polícia Federal, o episódio representa apenas a ponta de um complexo esquema de lavagem de dinheiro, que pode envolver desvios de recursos públicos da merenda escolar, contratos administrativos firmados com prefeituras e a movimentação de mais de R$ 19 milhões em espécie.

Os presos são Wallis Bernardo do Carmo e Antônio Oliveira Filho, autuados em flagrante pelo crime de lavagem de dinheiro, previsto na Lei nº 9.613/1998.

A prisão ocorreu por volta das 13h, após meses de monitoramento financeiro e cruzamento de dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), no âmbito de investigação conduzida pela Delegacia da Polícia Federal em Juazeiro do Norte.

processo 0800580-70.2025.4.05.8107

Saque monitorado e abordagem dentro do banco

De acordo com os autos, a Polícia Federal já possuía informações prévias de que um saque de alto valor seria realizado naquela data. Os agentes acompanharam a movimentação e observaram quando Wallis e Antônio entraram juntos na agência bancária.

Pouco depois, Wallis deixou o local carregando uma mochila volumosa. Ao ser abordado, foi solicitado que abrisse a bolsa em local reservado. Dentro dela, os policiais encontraram R$ 400 mil em espécie, sacados minutos antes.

Presença de terceiros e menção a escolta

Os depoimentos colhidos indicam que, durante o deslocamento até a agência bancária, os investigados estavam acompanhados por terceiros.

Conforme consta nos autos, um dos acompanhantes foi identificado como “Bebeto”, policial militar, que teria atuado como uma espécie de escolta informal durante o trajeto até o banco.

Ainda segundo os registros, outra pessoa também acompanhava o grupo, mas deixou o local antes da abordagem policial. As informações integram o conjunto probatório do auto de prisão em flagrante.

processo 0800580-70.2025.4.05.8107

processo 0800580-70.2025.4.05.8107


Versões conflitantes e suspeita de dissimulação

Durante a abordagem, os investigados apresentaram versões divergentes sobre a origem e o destino do dinheiro.

Antônio Oliveira Filho afirmou que o valor seria entregue a seu “patrão”, identificado como Diego Marcondes Cartaxo Tavares, empresário do ramo de fornecimento de alimentos e proprietário da DLA Comercial de Alimentos EIRELI, empresa também investigada pela Polícia Federal.

A empresa mantém contratos com diversos municípios do Ceará, inclusive com a Prefeitura de Iguatu. Conforme registros oficiais do Município, apenas em 2025, a DLA recebeu R$ 4.901.641,79 em pagamentos provenientes da administração municipal, referentes ao fornecimento de gêneros alimentícios destinados à rede municipal de ensino.

Já Wallis Bernardo do Carmo declarou que o montante pertenceria à sua própria empresa e seria utilizado para pagamento de fornecedores rurais. Segundo a Polícia Federal, essa versão não se sustenta, diante da ausência de lastro documental e da opção deliberada pelo uso de dinheiro em espécie.

Para os investigadores, a prática indica tentativa clara de ocultar a origem e o destino dos recursos.

Cifras milionárias e estrutura reiterada

O flagrante está ligado a uma investigação mais ampla, iniciada a partir de um Relatório de Inteligência Financeira (RIF), que identificou movimentações atípicas envolvendo a empresa DLA Comercial de Alimentos EIRELI.

Segundo a Polícia Federal, o grupo operava de forma reiterada: os valores eram depositados em contas empresariais e, posteriormente, sacados em espécie por terceiros, dificultando o rastreamento financeiro.

Ainda conforme os autos, Antônio Oliveira Filho teria realizado saques superiores a R$ 3,2 milhões em dinheiro vivo, sempre a pedido do empresário investigado.

O montante total movimentado pelo grupo pode ultrapassar R$ 19,1 milhões, segundo estimativas preliminares da PF.

processo 0800580-70.2025.4.05.8107


Ligação com recursos federais da educação

A investigação aponta que parte dos valores teria origem em contratos públicos financiados com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), vinculados ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

Há indícios de fraudes em licitações, uso de empresas interpostas e triangulação financeira entre pessoas jurídicas ligadas a familiares, o que sustenta a existência de crime antecedente, requisito essencial para a configuração do delito de lavagem de dinheiro.

processo 0800580-70.2025.4.05.8107


Pedido de prisão preventiva e bloqueio de bens

Diante da gravidade dos fatos, a Polícia Federal representou pela conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva, apontando risco concreto de reiteração criminosa e prejuízo à instrução processual.

Também foi requerido o bloqueio judicial de mais de R$ 19 milhões das contas vinculadas às empresas investigadas, além da quebra de sigilo telefônico e telemático dos envolvidos.

O caso tramita na Justiça Federal, sob competência do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5), registrado no plantão da 12ª Vara Federal, e está sob análise do Ministério Público Federal.

BOX – A ESTRUTURA DA ORGANIZAÇÃO E OS 19 MILHÕES O pagamento foi realizado via PIX, tendo como pagadora a empresa Comercial A WB Ltda


Pagamento de fiança registrado nos autos

 

processo 0800580-70.2025.4.05.8107

Consta nos autos que, após a audiência de custódia, foi efetuado o pagamento de fiança no valor de R$ 10 mil, conforme comprovante bancário juntado ao processo pelo advogado Lucas Rolim Vieira.

Os registros processuais também indicam o acompanhamento do inquérito pelo advogado Hudson Breno da Silva Eloi, que atualmente exerce cargo comissionado no Município de Iguatu (CE).

O pagamento foi realizado via PIX, tendo como pagadora a empresa Comercial A WB Ltda, com identificação bancária vinculada à Caixa Econômica Federal.O que está em jogo

Mais do que um flagrante bancário, o episódio revela um possível padrão estruturado de movimentação irregular de recursos públicos, com impacto direto sobre políticas essenciais, como a alimentação escolar.

As investigações seguem em andamento e podem alcançar novos nomes, contratos e municípios. Segundo a Polícia Federal, o caso ainda está em curso, e novas diligências não estão descartadas.

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