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“Estamos indo pra um caminho sem saída”, diz economista sobre cortes do governo
A equipe econômica do governo Dilma Rousseff convocou na noite da última segunda-feira (14) mais uma entrevista coletiva para anunciar cortes de R$ 26 bilhões no orçamento para 2016. O anúncio acontece depois da peça do orçamento para 2016 ter sido enviada com um déficit de R$ 30 bilhões para o Congresso.
O professor de economia da UFRJ João Sicsú afirma que o corte do governo é “mais do mesmo” e que as últimas atitudes “nos levam pra um caminho sem saída”. “As medidas tomadas são desequilibradas. O aumento [na tributação] pra ganho de capital vai gerar R$ 2,9 bilhões, já o [corte no] funcionalismo público vai fazer entrar R$ 8,5 bilhões.”
De acordo com os novos cortes, haverá adiamento nos reajustes dos funcionários públicos até agosto de 2016 e suspensão dos concursos públicos. Além disso, outras medidas que acertam em cheio os mais pobres são os cortes de R$ 4,8 bilhões no programa Minha Casa Minha Vida e R$ 3,8 bilhões na saúde.
Para Sicsú, em termos comparativos, somente a taxação de 15% sobre lucros e dividendos no Imposto de Renda, hoje isentos, geraria o dobro do que o governo anunciou nesse corte. “Se voltássemos para o patamar de 15%, que era o que tínhamos na época do Fernando Henrique, poderíamos gerar R$ 60 bilhões a mais”, estimou.
Programas sociais
Outra notícia dada pelo ministro Joaquim Levy foi a volta da CPMF. Com alíquota de 0,2%, ela será totalmente destinada para garantir o pagamento das aposentadorias e desafogar a Previdência Social. Para isso, o governo dependerá de aprovação do Congresso.
Sicsú critica a medida já que todos os cidadãos pagam a mesma alíquota. “Temos que descobrir formas para que os ricos paguem de acordo com sua capacidade financeira e os mais pobres, de preferência, sejam isentos”.
O professor também explica que o governo erra em manter o caminho de cortes para superar a crise econômica, já que ele leva uma arrecadação menor e menos investimentos. “Temos que ter coragem de ampliar os programas sociais como o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida e de usar os bancos públicos para baixar os juros. Essas são medidas que dinamizam a economia em um curto espaço de tempo”, apontou.
Fonte: Brasil de Fato
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