ROMUALDO LIMA. Advogado, ex-Conselheiro estadual da OAB/CE, Conselheiro vitalício do Conselho da OAB – Subseção Iguatu e Procurador Federal.

Falamos neste espaço, na última semana, sobre a Lei Maria da Penha, seus avanços e importância. Também alertávamos para a necessidade de mudanças estruturais no que respeita à educação e à formação do nosso povo, para a construção de uma cultura de não-violência e não-discriminação às mulheres.

Mas eis que, na contramão de tudo isso, logo no primeiro debate entre os candidatos à Presidência da República, todos nós vimos – alguns atônitos, outros com cúmplice naturalidade – aquele que pretende se manter no cargo atacar, de forma vil e machista, a jornalista Vera Magalhães, motivado apenas pelo fato da profissional da TV Cultura haver formulado uma pergunta sobre tema do desagrado do atual presidente, que – como sabemos – foi contra a vacinação e que, por isso, a pandemia foi agravada no Brasil, o que é fato mundialmente conhecido.

Antes, porém, ele já havia atacado a também candidata Simone Tebet que, a despeito de ter votado pelo “impeachment” da primeira presidente mulher da nossa história, postou-se, agora, defensora da causa feminina.

Mas haverá quem diga que o referido sr. Messias, candidato, age dessa forma porque teve formação em ambiente machista e, isso só, justificaria seu arroubo de ferocidade contra as mulheres. Tal conduta, porém, não é justificável e, muito menos, desculpável ou tolerável, sobretudo vindo do representante do executivo federal.

Ao contrário do que poderia ser uma escusa legítima, é necessário que todos os que viemos de formação patriarcal e machista nos policiemos e busquemos mudar essa cultura de intolerância, para que possamos criar as novas gerações sem o mesmo “defeito de fábrica” a que fomos expostos.

Como pontuou outro candidato na ocasião, que também já manifestou arroubos machistas em público, “alguém criado em ambiente machista, reproduz cultura machista. Mas eu aprendi isso [disse Ciro Gomes], mas você não aprende nada nunca. É uma pessoa que não tem coração”, referindo-se ao candidato Messias.

Quem nunca aprende é porque não é apenas machista, o que já é intolerável nos dias de hoje; mas é porque cultua o ódio às mulheres, pratica a misoginia, o que é uma postura ainda mais primária que o machismo em si mesmo.

Estes – os misóginos – ao invés de se corrigirem, mantém-se na contramão da nova postura, inclusiva e não-discriminatória, atacando as mulheres com violência moral e política, como testemunhamos no debate com a conduta do candidato-presidente ou presidente-candidato.

São estes, em resumo, “homens que são tchutchucas com outros homens e com mulheres são tigrão”, como disse a candidata Soraya Thronicke.

ROMUALDO LIMA.
Advogado, ex-Conselheiro estadual da OAB/CE,
Conselheiro vitalício do Conselho da OAB – Subseção Iguatu e
Procurador Federal.

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