Brasil
BTG/Nexus: Lula lidera primeiro turno com 41%, mas Flávio Bolsonaro encurta distância e cenário de segundo turno fica apertado
Pesquisa divulgada nesta segunda-feira (17) mostra presidente com cinco pontos de vantagem sobre o senador no primeiro turno. Em eventual segundo turno, diferença cai para três pontos, dentro da margem de erro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece na liderança da corrida presidencial de 2026 no principal cenário estimulado da nova pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta segunda-feira (17). Lula registra 41% das intenções de voto, contra 36% do senador Flávio Bolsonaro (PL). A diferença é de cinco pontos percentuais e permanece igual à registrada na rodada anterior do levantamento.
O dado, porém, mostra uma disputa ainda aberta. Embora Lula esteja numericamente à frente no primeiro turno, a pesquisa aponta um cenário muito mais equilibrado quando os eleitores são colocados diante de uma eventual disputa direta entre os dois principais nomes. No segundo turno, Lula aparece com 47%, contra 44% de Flávio Bolsonaro. Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, o resultado configura empate técnico.
A pesquisa foi realizada pela Nexus entre os dias 14 e 16 de agosto, por meio de entrevistas telefônicas com 2.003 eleitores de todas as 27 unidades da Federação. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-03317/2026.
Primeiro turno mantém polarização
No cenário estimulado, em que os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados, Lula passou de 40% para 41% em relação à rodada anterior. Flávio Bolsonaro também oscilou positivamente, de 35% para 36%. Na prática, os dois candidatos cresceram um ponto e a distância entre eles permaneceu em cinco pontos percentuais.
Os demais candidatos aparecem em um patamar bem inferior. Ronaldo Caiado (PSD) registra 5%, enquanto Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) aparecem com 4% cada. Samara Martins (UP) e Augusto Cury (Avante) têm 1% cada, segundo o levantamento.
A pesquisa espontânea, na qual os entrevistados não recebem uma lista de nomes, também apresenta Lula na dianteira: 38% citaram o presidente, contra 29% de Flávio Bolsonaro. O resultado mostra uma diferença de nove pontos percentuais nesse formato.
Segundo turno é o principal alerta do levantamento
O dado que chama atenção na pesquisa está no confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro. O presidente aparece com 47%, enquanto o senador alcança 44%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, a diferença de três pontos não permite afirmar, estatisticamente, que um dos dois esteja isoladamente à frente.
O resultado é exatamente o mesmo registrado na rodada anterior, quando Lula também tinha 47% e Flávio, 44%. Isso significa que, dentro da série mais recente da BTG/Nexus, o cenário de segundo turno permanece estável, embora bastante competitivo.
Nos demais confrontos testados, Lula aparece numericamente à frente. Contra Ronaldo Caiado, o presidente marca 45% contra 42%; diante de Romeu Zema, são 46% a 41%; e contra Renan Santos, Lula registra 47% contra 36%.
Eleitorado começa a consolidar o voto
Outro indicador importante da 10ª rodada da BTG/Nexus é o grau de definição do eleitor. Entre aqueles que declararam voto em algum candidato no primeiro turno, 78% afirmam que a decisão já está tomada e não deve mudar até a eleição. Outros 20% admitem que ainda podem alterar a escolha, enquanto 2% não souberam responder.
Segundo a Nexus, os 78% representam o maior nível de voto consolidado registrado na série histórica da pesquisa, acima dos 74% observados na rodada anterior. Entre os eleitores de Lula, 86% dizem ter o voto definido. Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, o índice é de 82%.
O dado é particularmente relevante porque a campanha eleitoral acaba de entrar oficialmente em uma nova fase. Com os candidatos autorizados a ampliar a exposição pública e intensificar suas agendas, televisão, rádio, redes sociais, debates, viagens e eventos passam a ter maior peso na disputa. Ainda assim, a pesquisa mostra que uma parcela expressiva do eleitorado já apresenta preferência consolidada.
Polarização continua sendo marca da eleição
O levantamento também procurou medir o grau de polarização do eleitorado. A Nexus identificou 29% de entrevistados classificados como “bolsonaristas convictos” e 25% como “lulistas convictos”. Outros 10% se identificam simultaneamente com posições anti-Lula e anti-Bolsonaro, enquanto 20% são classificados como não polarizados. Há ainda 5% identificados como “Lula como alternativa” e 6% como “Bolsonaro como alternativa”.
Os números ajudam a explicar por que a disputa permanece concentrada nos dois grandes polos. Ao mesmo tempo em que existe uma parcela significativa de eleitores fortemente identificados com cada campo político, há também grupos que não se enquadram integralmente na polarização e podem representar um espaço relevante para a disputa ao longo da campanha.
Avaliação do governo Lula
A pesquisa também mede a percepção dos entrevistados sobre o governo federal, além da intenção de voto. O levantamento completo inclui blocos específicos sobre desempenho da administração, principais problemas do país, situação econômica e percepção dos candidatos.
Esse cruzamento é importante porque a vantagem eleitoral de Lula não significa necessariamente uma avaliação amplamente positiva de sua administração. A pesquisa mostra que a eleição combina avaliação de governo, rejeição aos candidatos e forte componente de polarização política.
No cenário atual, portanto, a fotografia da BTG/Nexus é de Lula na frente no primeiro turno, mas sem margem confortável para uma eventual segunda rodada contra Flávio Bolsonaro.
A pesquisa também reforça que a eleição de 2026 começa a se desenhar como uma disputa de alta competitividade. Lula lidera numericamente, mas Flávio aparece suficientemente próximo para produzir um segundo turno tecnicamente equilibrado. Como ambos oscilaram um ponto para cima na comparação com a rodada anterior, não houve alteração significativa da distância entre os dois.
Com a campanha oficialmente iniciada, os próximos levantamentos terão papel importante para verificar se essa fotografia representa uma tendência ou apenas a estabilidade momentânea de uma disputa que, pelos números da BTG/Nexus, permanece aberta.
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