Iguatu
Tratores do Projeto S. José estão sem uso em Iguatu
Em pelo menos cinco comunidades, os veículos entregues pelo governo ainda não são usados no campo. Após quase um ano da solenidade oficial de entrega de tratores do Projeto São José para comunidades do Interior, os veículos estão praticamente parados, sem condição de preparo dos solos, por falta dos implementos agrícolas. Os tratores foram doados pelo Governo do Estado, por meio do Projeto São José, sob a coordenação da Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA).
Em Iguatu, os produtores rurais das associações comunitárias dos sítios Córrego e Cajás ainda aguardam os implementos agrícolas: guincho, debulhador de milho, batedor de feijão e sulcador (escarificador). Até agora, só receberam os tratores e carretas (reboques). O atraso na entrega dos equipamentos deixou os agricultores insatisfeitos e prejudicados.
O presidente da Associação de Desenvolvimento Comunitário do Sítio Córrego, João Gonçalves, lamentou o atraso na entrega dos equipamentos. “Perdemos o período de verão no segundo semestre do ano passado, quando muitos agricultores poderiam ter feito o cultivo irrigado de feijão e de milho”, afirma. “Sem os equipamentos, o trator ficou parado, sem poder preparar a terra”, reclama.
Apesar do quadro de estiagem que se prolonga desde o ano passado, os produtores rurais pretendiam preparar o solo para o plantio de sequeiro a partir deste mês. “A gente não sabe, com certeza, se vai ou não chover, mas o certo era que a terra já estivesse sendo preparada”, disse o agricultor Francisco Pedro Maximiano. “Sem o cultivador, o trator não vai servir para quase nada, só para carregar mercadorias”, aponta.
Gonçalves disse que a comunidade não tem condições financeiras de arcar com as despesas de compra de um sulcador que custa, no mercado local, entre R$ 12 mil e R$ 14 mil. Ele lembra que, na solenidade de entrega oficial e simbólica dos tratores do Projeto São José, realizada na cidade de Canindé, em março do ano passado, o Governo do Estado prometeu o fornecimento dos equipamentos.
Insatisfação
Sem o plantio dos grãos, milho e feijão, o debulhador e batedor também ficam ociosos e a comunidade deixa de arrecadar os recursos pelos serviços que poderiam ser prestados aos associados. “Todos nós aqui no Córrego estamos desgostosos”, disse o produtor rural, Francisco Teodósio de Carvalho. A saca de 60 quilos de feijão de corda custa R$ 340,00, um preço elevado, por causa da seca e da falta do produto. Muitos agricultores poderiam fazer o plantio irrigado nas várzeas do Açude Orós, mas sem os implementos estão impossibilitados de usar o trator que chegou à comunidade em junho de 2012.
O diretor do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Iguatu e presidente do Conselho de Desenvolvimento Municipal de Iguatu, Evanilson Saraiva, lamentou o atraso na entrega dos equipamentos. “Sem o escarificador, os tratores não terão uso adequado e não vão beneficiar as comunidades”, observou. “É preciso que o governo faça logo um levantamento e providencie o mais rápido a entrega dos equipamentos que faltam”.
Entrega
De acordo com informações do setor de Acompanhamento do Projeto São José, ainda faltam ser entregues três kits de implementos agrícolas nos municípios de Jati (sítio Baião), Porteiras (sítio Barrigudas) e Mauriti (sítio Canabrava), além dos dois das comunidades de Cajás e Córrego em Iguatu.
O coordenador do setor de controle de entrega dos implementos no Projeto São José, Fabrício Ximenes, disse que até a próxima sexta-feira, a empresa contratada vai enviar para as comunidades o guincho, debulhador de milho e batedor de feijão. “O atraso foi decorrente de um defeito na máquina que fabrica as chapas de aço para produção dos equipamentos agrícolas. A peça já veio de São Paulo”, disse.
Quanto à entrega dos sulcadores, Ximenes informou ontem que iria entrar em contato com a empresa fornecedora no Rio Grande do Sul e cobrar agilidade no envio do restante. “De um total de 114 associações comunitárias beneficiadas, em 2012, faltam apenas cinco para serem atendidas”, disse. “É uma quantidade reduzida”.
Licitações
Sobre a solicitação de grades, que em muitas localidades são utilizadas para o preparo de solo, Ximenes explicou que, desde 2009, foram proibidas de serem entregues pelo Governo do Estado. “De acordo com laudo técnico da Ematerce, esse tipo de equipamento causa degradação e empobrecimento do solo”, observou. “O projeto só prevê a entrega de escarificador da terra”.
Ainda este ano, devem ser realizadas licitações para compra de mais 300 tratores remanescentes de convênios já aprovados. A data ainda será definida. Entretanto, segundo as normas do novo Projeto São José, a edição três, sob exigência do Banco Mundial (Bird), outros tratores somente serão fornecidos às associações quando forem atrelados a projetos produtivos.
A dificuldade de gestão do uso dos tratores pela maioria das associações comunitárias é motivo de preocupação para o Governo do Estado. Desde 1995, a partir da implantação do Projeto São José, no Ceará, esse tipo de máquina começou a chegar ao campo para apoiar as atividades de produção agrícola.
O projeto enfrenta o mau gerenciamento das máquinas que ficam quebradas com regularidade. A vida útil de um trator é de 10 anos em média, e as comunidades que receberam os primeiros equipamentos hoje enfrentam dificuldades para compra de implementos e conserto dos veículos.
Mais informações
Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA)
Projeto São José
Sede em Fortaleza
Telefone: (85) 3101. 8112
Fonte: Diario do Nordeste
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