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Consumir bebida alcoólica de forma abusiva é visto por muitos como problema individual, mas os riscos são coletivos. O Ceará é o 6º do Brasil com maior taxa de mortes atribuíveis ao álcool – e violência interpessoal e acidentes de trânsito são as principais causas.

O Estado teve, no primeiro ano da pandemia, 36,6 mortes ligadas ao uso de álcool a cada 100 mil habitantes, uma taxa acima da nacional (31,5). Os dados são da pesquisa Álcool e a Saúde dos Brasileiros 2022, do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa).

Kae Leopoldo, psicólogo e pesquisador do Cisa, explica que esses óbitos se dividem entre parcial ou totalmente atribuíveis ao álcool – ou seja, mortes que aconteceriam (câncer, acidentes de trânsito etc.) ou que não aconteceriam (doenças) se a substância não existisse.

“No Ceará, essas mortes estão acima da média nacional. É um sinal de alerta, porque é um dos estados que puxa pra cima os dados nacionais de mortes atribuíveis ao álcool. E houve um aumento considerável de 2019 pra 2020”, observa o especialista.

Uma a cada 5 vítimas (20%) cuja morte tem a ver com uso de álcool tem a vida ceifada pela violência, em conflitos gerados pela embriaguez. É a principal causa de óbitos atribuíveis ao consumo da substância, segundo o levantamento do Cisa.

A explicação é científica. “O álcool deprime regiões do cérebro responsáveis pela habilidade de socializar, pelo controle inibitório. Bêbado, a chance de você ingressar em atividades reprobatórias é maior. As brigas têm muito mais chance de acontecerem, e de forma mais grave, quando as pessoas estão alcoolizadas”, destaca Kae.

Na pandemia, com o isolamento social, dois públicos foram ainda mais afetados. “A ONU Mulheres recomendou controle do consumo de álcool, porque mulheres e crianças estavam mais vulneráveis”, complementa o psicólogo.

Fonte: Diário do Nordeste