Brasil
Um em cada dez deputados dobrou o patrimônio nos últimos 4 anos
Um grupo de 57 deputados federais que buscam a reeleição conseguiu mais do que dobrar seu patrimônio da última eleição, em 2018, para este ano.
Nesses quatro anos, esses deputados (que representam cerca de 11% da Câmara dos Deputados) tiveram um aumento na declaração de bens à Justiça Eleitoral de mais de 100%.
O levantamento foi feito pela CNN com base nos dados disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pelos candidatos. Ao todo, 426 deputados federais disputam a reeleição neste ano.
Os valores já consideram a inflação desse período (de cerca de 25%, segundo o Banco Central).
Os deputados Márcio Labre (PL-RJ), Nelson Barbudo (PL-MT) e Abilio Santana (PSC-BA), por exemplo, declararam patrimônios de menos de R$ 20 mil em 2018. Neste ano, os três tiveram os maiores crescimentos de bens: 11.885%, 9.034% e 4.650%, respectivamente.
O maior aumento nominal de patrimônio, porém, veio do deputado José Nelto (PP-GO). Em 2018, quando se elegeu deputado federal pelo Podemos, ele declarou um patrimônio de R$ 7,8 milhões. Corrigido pela inflação do período, esse total de bens somaria algo em torno de R$ 9,8 milhões atualmente. Passados quatro anos, Nelto declarou, neste ano, um patrimônio de R$ 48,4 milhões –um aumento de 394% se considerada a inflação do período.
A CNN entrou em contato com os gabinetes dos deputados citados pedindo uma manifestação sobre esse aumento de patrimônio e oferecendo a oportunidade de eles apresentarem as explicações, mas não houve respostas.
O aumento no patrimônio dos candidatos não constitui um crime. Como a declaração de bens se dá de forma individual, é comum que um candidato ou uma candidata possa ter a casa registrada no nome de seu cônjuge, por exemplo. Especialistas ouvidos pela CNN, porém, dizem que alguns aumentos podem indicar possíveis irregularidades envolvendo os congressistas.
É preciso ressaltar, contudo, que não há obrigação de que a declaração feita à Justiça Eleitoral corresponda a apresentada à Receita Federal (que conta com um sistema mais rígido de análise dos patrimônios declarados).
Como os congressistas têm remuneração alta (salário bruto de mais R$ 33 mil) e contam com alguns benefícios, como auxílio-moradia ou apartamento funcional em Brasília, o aumento do patrimônio, em uma certa medida, é visto como natural por especialistas ouvidos pela CNN.
Esse crescimento, porém, viria de alguns privilégios, como o uso da cota parlamentar para gastos com transporte, combustível, alimentação, entre outros.
Fonte: CNN Brasil
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