A palavra sindicato, no latim sindicus, significa “procurador escolhido para atender os direitos de uma corporação”. Para além deste significado, um sindicato dá voz a causas não apenas de uma categoria profissional, mas da sociedade. Tendo a preservação do direito à saúde como uma de suas missões, o Sindicato dos Médicos do Ceará celebra seus 78 anos representando uma classe que se dedica à vida e à saúde.

“Em vez de trabalharmos apenas para a categoria médica, de forma corporativista, nós olhamos também para o paciente. Precisamos saber se ele está sofrendo, por que está sofrendo e aí buscamos soluções para isso”, afirma Dr. Edmar Fernandes, Presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará. A declaração do gestor explica o que é tida como primeira atribuição do Sindicato, como informa a sua página na internet: “Reivindicar melhorias nas condições de saúde da população e buscar o fortalecimento do sistema público de saúde”.

Lutar por essas melhorias tornou-se uma prioridade dadas as condições a que chegou a saúde pública do Estado e do Brasil. “Na questão das condições que nos são apresentadas para exercermos a Medicina, que tanto pode ajudar as pessoas, estamos bastante entristecidos. Estamos passando por um momento de união com outros Estados para tentar fortalecê-la, tendo em vista os impactos negativos nas condições de trabalho dos profissionais”, afirma Dr. Edmar Fernandes. “Você chega em um hospital lotado de pacientes nos corredores, com pessoas que acabaram de fazer uma cirurgia, tomando um quimioterápico, sem defesa (imunológica), e muitas vezes não consegue exercer o seu trabalho. A maioria dos médicos trabalha em um ambiente insalubre. Precisamos mudar essa realidade”, observa o dirigente.

Este monitoramento dos corredores é feito mensalmente pelo Sindicato, por meio do Corredômetro. Desde 2016, a ferramenta, disponível no site do Sindicato, informa o número de pessoas internadas nos corredores de hospitais como Instituto Dr. José Frota (IJF), Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes (HM), Hospital Geral de Fortaleza (HGF), Hospital Infantil Albert Sabin (HIAS) e Hospital de Saúde Mental Professor Frota Pinto (HSM). Os números são indicadores da saúde pública do Estado.

A lotação das unidades de saúde é apenas uma das demandas recebidas constantemente pelo Sindicato dos Médicos do Ceará. Mas falta de médicos, medicamentos e insumos, infraestrutura precária e insegurança também estão na pauta. Parte delas é trazida pelos médicos e outras pela própria população. Um caso recente, como ilustra Dr. Edmar Fernandes, foi a mobilização de moradores do bairro Dias Macedo, em Fortaleza. O presidente foi chamado para ver de perto a situação do posto de saúde Professor João Hipólito de Azevedo e conferiu os graves problemas, comuns a outras unidades de atenção básica.

“A população denunciou, nós fomos lá e comprovamos. Entramos em contato com a Secretaria Municipal de Saúde, pedindo urgência. Depois disso, contrataram médicos e providenciaram medicamentos. Dessa forma, a classe médica acabou sendo beneficiada, mas precisamos ouvir primeiramente os pacientes”, contextualiza.

Outra conquista foi a liberação de recursos para manutenção de 14 leitos para o Centro Pediátrico do Câncer, conhecido como Hospital Peter Pan. “Nós conseguimos negociar com a Secretaria de Saúde do Estado para que fosse garantido recurso para manter esses 14 leitos. Dessa forma, tanto as crianças foram beneficiadas como foram contratados pediatras, oncologistas e enfermeiros. Todos saíram ganhando”, comemora o Presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará.

Em pauta

Diminuir a rotatividade dos profissionais nas unidades de saúde também é uma das preocupações do Sindicato dos Médicos do Ceará. Com contratos temporários, não há uma continuidade do trabalho médico e do acompanhamento dos pacientes. “Acreditamos que é importante haver concurso para fixar médicos nos hospitais. É muito importante na saúde ter equipes que se conheçam, que trabalhem juntas, como no IJF, onde a maioria é de médicos servidores municipais. É considerado um dos melhores hospitais em traumatologia”, destaca Edmar Fernandes.

Para o Presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará, pautas como essas, se atendidas, vão trazer um grande avanço para a saúde.

“Espero que haja uma atenção maior para saúde pública, que nós possamos fixar o médico nos locais de mais difícil acesso no postos e hospitais. Seria uma forma, a curto e médio prazo, de beneficiar a saúde do Estado. Nós, do Sindicato continuaremos atuando firme para que o direito à saúde e ao exercício digno da profissão médica sejam garantidos”, enfatiza o médico.

Fonte: Diário do Nordeste