Quase um ano após ganhar na Justiça o direito de mudar o próprio registro civil, alterando nome e gênero, em uma ação inédita no Ceará, a adolescente trans Lara Mendes Magalhães Torres, de 17 anos, recebeu a carteira estudantil de Fortaleza com o “nome morto” como se refere ao registro de nascimento, antes da mudança para um nome adequado ao seu gênero.

O caso foi relatado nas redes sociais pela mãe de Lara, a jornalista e escritora Mara Beatriz Mendes Magalhães. Na publicação, ela destacou o constrangimento causado à jovem e à família pelo fato do documento, que concede o desconto de meia entrada para os alunos, não ter inserido o novo nome da garota.

“Quando a gente vai ter paz? Nunca? Entrei na Justiça para retificar o nome da Lara porque ela e nós não aguentamos mais o nome morto dela sempre ressurgindo, a ‘retraumatizando’. Já não basta tudo que passamos e que culminou na expulsão dela por transfobia na escola em que ela estudava desde os dois anos? Com a certidão de nascimento nova, achávamos que isso acabaria, mas parece que nunca acaba… Vamos ter que conviver com esse fantasma empurrado sempre pela nossa goela abaixo?”, escreveu Mara Beatriz.

Conforme a jornalista, a filha ligou da escola arrasada, porque a Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor) “mandou a carteira de estudante nova com um nome que nem existe mais”.

Desde os 12 anos, a adolescente compreendeu que se identificava com o gênero feminino. Ela, então, informou à família sobre a não conformidade com o gênero designado no nascimento. Em junho de 2021, acompanhada dos pais, ela ingressou com ação de retificação do registro civil, a primeira feita pelo Núcleo de Direitos Humanos e Ações Coletivas (NDHAC) da Defensoria Pública Geral do estado (DPCE). A decisão saiu em outubro do ano passado.

Para Mara, a carteira estudantil com o nome errado fez Lara reviver traumas que a família lutou para deixar no passado.

 

Fonte: G1