Uma escola sem espaço formal destinado ao armazenamento e consulta de livros e sem local de fomento à leitura que possa fazer parte da rotina dos alunos de modo a contribuir com a formação de suas identidades social e cultural. É assim que funciona a maior parte dos colégios públicos do Ceará: sem bibliotecas.

Neste sábado, 29 de outubro, Dia Nacional do Livro, o Diário do Nordeste revela que 6 a cada 10 escolas públicas não têm bibliotecas no Ceará. A falta de infraestrutura e também de equipe adequada ainda são desafios para o funcionamento dos equipamentos.

Do total de 5.824 escolas públicas existentes no Estado, apenas 2.049 possuem bibliotecas – o que representa 35,1%. Os dados foram levantados pela reportagem por meio do Censo Escolar 2021, feito pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

“Sem a biblioteca da minha escola eu não teria acesso à leitura, porque estou numa condição financeira em que não tenho dinheiro para comprar livros e eu moro muito longe da biblioteca estadual”, resume a estudante Gabriele Rosário, de 17 anos.

Quem está mais distante dos livros são os estudantes das escolas municipais, distribuídas no Ceará, onde apenas 26% são equipadas com bibliotecas – ou 1.323 do total de 5.088 instituições de responsabilidade das prefeituras.

Na rede estadual, o índice é de 95% porque as bibliotecas aparecem em 695 das 725 escolas do levantamento. Na rede federal, com maior abrangência, os acervos são realidade em 97% das instituições, ou 33 de 34.

Quando são analisados os dados entre escolas particulares, 1.082 instituições possuem bibliotecas do total de 1.503, ou 72%. Mas não basta apenas ter livros disponíveis: é preciso infraestrutura e programação interdisciplinar.

Gabriele faz o Ensino Médio na Escola José Bezerra de Menezes, em Fortaleza, onde frequenta a biblioteca desde os 13 anos, quando se apaixonou pela leitura. O cenário, contudo, não é tão encantador.

Fonte: Diário do Nordeste