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‘Nem balas nos deterão’: violinista dos protestos na Venezuela é ferido por tiro no rosto
O violinista Wuilly Arteaga, que se tornou um dos símbolos dos protestos contra o governo da Venezuela, acabou ferido no último confronto no sábado em Caracas, capital do país.
O jovem, que aparecia tocando seu violino em todos os protestos contra a gestão Nicolás Maduro, foi atingido por disparos no rosto – imagens da agência de notícias Reuters mostraram policiais aparentemente atirando balas de borracha e gás lacrimogêneo durante o ato.
Em sua conta do Twitter, Arteaga garantiu que “nem balas irão deter” os manifestantes de lutar pela “independência da Venezuela”. E acrescentou que em breve estará de volta às ruas.
O rapaz também gravou um vídeo mostrando que segue tocando o violino e protestando contra o governo mesmo da cama do hospital.
A Venezuela vive constantes protestos por causa de uma grave crise econômica que tem provocado uma crescente polarização entre seguidores e críticos do governo Maduro.
Há cerca de uma semana, a oposição ganhou a adesão de 7 milhões de pessoas num plebiscito informal que, entre outras questões, apoiava a antecipação de eleições diretas para presidente. Após a votação, analistas esperavam que a violência aumentasse nas ruas.
Cerca de cem pessoas já morreram nos violentos protestos que ocorrem na Venezuela desde abril, quando as tensões se intensificaram.
Num vídeo da agência de notícias Reuters, Wuilly Arteaga aparece ferido e sendo conduzido ao hospital. Outras imagens mostram os confrontos entre manifestantes e policiais.
O Ministério Público da Venezuela informou que está investigando os ferimentos do violinista.
A manifestação de sábado seguia em direção à Suprema Corte, em Caracas, após polêmicas envolvendo a indicação de juízes. Um grupo de 33 magistrados foi nomeado um dia antes pelo Congresso, liderado pela oposição.
Governistas afirmaram que a medida era uma tentativa de tomada de poder, enquanto os manifestantes apoiavam a nomeação.
Violino quebrado
O violinista ganhou fama quando imagens viralizaram na internet mostrando seu choro depois que seu violino foi destruído, segundo ele, pela polícia. O instrumento foi substituído por um simpatizante, e ele logo voltou às ruas.
Em junho, o rapaz viajou a Nova York para participar de protestos contra o governo venezuelano.
Arteaga se descreve como membro de “La Resistencia”, um grupo de jovens que tem liderado protestos contra o governo. Também foi noticiado que ele foi membro da orquestra El Sistema, um programa estatal de música que foi patrocinado pelo ex-presidente Hugo Chávez, morto em 2013.
O programa começou nos anos 1970 com o objetivo de educar jovens de baixa renda usando música.
Fonte: BBC
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